VOCÊ NÃO ESTÁ LOUCA

Por Lays Macedo

 

Existe uma forma muito cruel de manipulação psicológica, bastante violenta sim, que se chama GASLIGHTING (a gente lê: gueslaitin) - mesmo sem ter um nome em português, essa prática é bastante conhecida por nós. Eu já disse uma vez que somos vistas como vilãs dentro das nossas próprias tragédias e isso passa por este lugar de sermos levadas a questionar nossas vivências, dores e medos. 

O grito que depois é minimizado, o assédio que depois é reduzido à brincadeira, a ofensa que depois é descrita como "mimimi", a traição que é colocada como merecimento, o empurrão que é narrado como tropeço, a humilhação justificada como natural... 

A violência do gaslighting é a negativa de fatos, ou da sua seriedade e dimensões, a ponto de conseguir construir dúvidas para quem os viveu. É recurso do abusador dizer que você está "exagerando"/"descontrolada"/"louca" e que "não foi bem assim"/"as coisas não aconteceram da forma que você se lembra". Sim, a sua percepção, a sua memória e, consequentemente, a sua sanidade são colocadas à prova pelo violador. 

A origem do termo gaslighting vem a partir do filme de mesmo nome (a versão aqui se chama "À meia-luz"), do ano de 1944, que conta a trama de um marido que tenta convencer sua esposa e outras pessoas de que ela está louca, manipulando elementos para depois dizer que ela está errada ou se lembra das coisas de forma incorreta. 

Peça ajuda! Toda violência é negativa de humanidade e pode trazer sérias consequências psicológicas para quem as vive. Não é normal sofrer abusos, ainda que haja quem os naturalize ou relativize.

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Sobre a autora: Lays Macedo é jornalista - orgulhosa por ser da Uesb - e estudiosa do feminismo - ativa e atuante. Também faz parte do quadro da segurança pública da Bahia. Adora conversas e tudo aquilo que disseram para ela que mulher não pode.

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