Tire suas dúvidas sobre a vacina contra meningite meningocócica

As crianças, principalmente abaixo dos 2 anos, são as principais vítimas, pois são mais vulneráveis a doenças infecciosas do que os adultos já que ainda não dispõem do sistema imunológico completamente formado

A meningite meningocócica é uma doença infecciosa bacteriana transmitida pelas vias respiratórias, ou seja, gotículas e secreções do nariz e da garganta. Provoca inflamação das meninges, membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal. Os sintomas são febre alta, dor de cabeça forte, rigidez na nuca, vômitos e manchas vermelhas no corpo. O tratamento é à base de antibiótico

Por que a doença afeta mais as crianças?

As crianças, principalmente abaixo dos 2 anos, são as principais vítimas, pois são mais vulneráveis a doenças infecciosas do que os adultos já que ainda não dispõem do sistema imunológico completamente formado.

A doença é fatal?

A doença pode evoluir para morte, mas em 80% dos casos isso não acontece – a letalidade é de 20%. Cerca de 40% dos pacientes ficam com sequelas. O pediatra Juarez Cunha, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) explica que a doença pode se apresentar de duas formas: somente como meningite meningocócica ou como meningococcemia, quando se espalha para outros órgãos além das meningites. Nesse caso, pode ser fulminante e matar em poucas horas.

A vacina contra a meningite meningocócica protege totalmente contra a doença?

Existem 12 subtipos de meningococo, a bactéria que causa a meningite meningocócica. Há vacinas contra os sorogrupos A, B, C, Y e W, os mais prevalentes no país, exceto o A, que não circula mais por aqui. Essas vacinas oferecem proteção de mais de 90% contra a doença provocada por esses sorogrupos. Apenas a vacina contra o tipo C é oferecida na rede pública; as demais, apenas em clínicas particulares. Essa vacina é disponibilizada para crianças até os 5 anos e adolescentes entre 11 e 14 anos. Outras faixas etárias só podem tomar o imunizante em clínicas particulares.

Por que a rede pública oferece vacina contra meningite meningocócica C para adolescentes?

Porque os adolescentes e jovens adultos, até 25 anos, são os principais grupos de portadores dessa bactéria. São os chamados portadores sãos. Eles podem desenvolver a doença e transmitir mesmo não tendo a doença.

Quando devo vacinar meu filho contra meningite meningocócica?

A recomendação da vacina contra meningite meningocócica C é uma dose aos 3 meses, outra aos 5 meses e um reforço com 1 ano de vida. É indicado ainda tomar outro reforço entre 11 e 14 anos. O adolescente que não foi vacinado na infância vai receber uma dose única.

Devo vacinar meu filho com os outros tipos de vacina contra a meningite meningocócica?

Isso é o ideal, segundo a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm). A SBIm orienta que, quanto maior a ampliação da imunização, maior a chance de proteção contra doenças.

Quando devo ministrar as outras vacinas?

A vacina contra a meningite meningocócica B é ministrada aos 3, 5 e 7 meses, com reforço depois de 1 ano de vida e, em adultos, em duas doses, com intervalo de dois meses. Há ainda uma vacina contra os sorogrupos A, C, Y e W. Em bebês, deve ser dada aos 3, 5 e 7 meses com reforço após 1 ano de idade e outros reforços a cada cinco anos. Já na idade adulta sua dose é única.

As três vacinas contra meningite meningocócica contra os tipos C, B e A, C, W e Y devem ser iniciadas aos 3 meses de vida. O bebê pode tomar as três de uma vez? Há risco para ele?

A vacina contra meningite meningocócica A, C, Y e W já inclui o tipo C, então isso reduz as vacinas para apenas duas: a vacina contra meningite meningocócica B e a vacina contra meningite meningocócica  A, C, Y e W. As vacinas podem ser ministradas no mesmo momento, pois uma não interfere na resposta imunológica da outra e não há aumento da possibilidade de eventos adversos, segundo o pediatra Juarez Cunha, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

Há surto de meningite meningocócica em São Paulo?

Não, segundo a Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo. No Brasil, houve 1.072 casos no ano passado, sendo que 218 evoluíram para morte, segundo o Ministério da Saúde. Em 2017, foram registrados 1.138 ocorrências e 266 mortes. O sorogrupo C é o principal causador de doença meningocócica no país, responsável por 60% dos casos.

R7

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