Guerra civil está prejudicando luta contra ebola

Surto, que já matou 569 pessoas, ocorre em uma região da República Democrática do Congo vinculada a grupos armados e violência

A batalha contra o ebola na República Democrática do Congo está fracassando porque os cidadãos não confiam em profissionais de saúde, e uma resposta excessivamente militarizada está afastando pacientes e famílias, afirmaram a organização humanitária Médicos Sem Fronteiras nesta quinta-feira (7).

Na semana passada, os Médicos sem Fronteiras suspenderam as atividades médicas no ponto focal da epidemia, depois que duas de suas instalações foram incendiadas por agressores não identificados.

A presidente internacional da organização, Joanne Liu, disse que o surto, que matou 569 pessoas, não será contido a menos que a comunidade confie nas autoridades e seja tratada com humanidade.

"A atmosfera existente só pode ser descrita como tóxica", disse Liu a repórteres em Genebra.

Os socorristas do ebola foram cada vez mais vistos como inimigos, com mais de 30 ataques e incidentes contra a reação ao ebola somente no mês passado, disse.

A epidemia está em uma região do Congo que é vinculada a grupos armados e violência, onde os funcionários estão propensos a ver ameaças por meio de uma lente de segurança e a usar a força.

"Há muita militarização em resposta ao ebola", afirmou ela. "Usar a polícia para forçar as pessoas a cumprir as medidas de saúde não é apenas antiético, é totalmente contraproducente. As comunidades não são o inimigo".

O envolvimento de forças policiais e de segurança apenas aprofundou as suspeitas de que o ebola estava sendo usado como ferramenta política, disse.

Ainda havia sinais de que o surto - o segundo pior de todos - não estava sendo controlado.

Cerca de 40% das mortes ocorreram fora dos centros médicos, o que significa que os pacientes não haviam procurado atendimento, e 35% dos novos pacientes não estavam ligados a casos existentes, o que indica que a disseminação da doença não estava sendo monitorada.

"O ebola ainda tem a vantagem", disse Liu.

Os camponeses avistaram frotas de carros correndo para pegar uma única pessoa doente e uma grande quantidade de dinheiro entrando. Alguns foram instruídos a lavar as mãos, mas não tinham sabão para fazê-lo.

"Eles vêem seus parentes sendo pulverizados com cloro e envoltos em sacos de plástico, enterrados sem cerimônia. Então eles vêem seus pertences queimados", afirmou.

R7

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