MEGA Entrevista: Conquistense de coração, Guto Leal ganha prêmio de automobilismo no GP Gerais

Piloto cita dificuldades relacionadas ao incentivo ao esporte no Brasil

Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal


Por: Nicole Prado

O soteropolitano Carlos Augusto Leal, mais conhecido como Guto, sagrou-se campeão do Campeonato Mineiro de Motovelocidade da Categoria Sport após cinco etapas disputadas. Apesar de ter nascido na capital baiana, Guto Leal se diz conquistense de coração. O sucesso na 6ª edição da competição, que aconteceu em Curvelo – MG e teve início em junho deste ano, trouxe o reconhecimento de parentes, amigos e até de quem ainda não conhecia o baiano.

O piloto confessou ainda que, apesar dos inúmeros esportistas da cidade, ainda é difícil conseguir o apoio de empresas locais, problema que não é exclusivo de Vitória da Conquista. O atleta e sua família custeiam todas as despesas relacionadas às competições.

MEGA - Como surgiu essa paixão pela motovelocidade?

Guto Leal - Essa minha paixão por velocidade vem desde a infância. Eu tinha o sonho de ser piloto de Fórmula 1. A gente via aos domingos o Ayrton Senna dando show. Eu era um pouco diferente dos meus amigos, porque no país do futebol, a tendência é que a galera curta esse esporte e goste pouco dos esportes de automobilismo, e eu gostava muito. Um amigo da família tinha uma moto 7 Galo, que fazia um barulho bonito, então sempre que eu tinha oportunidade eu acompanhava algumas corridas. Acho que o esporte nem tinha tanta fama, os pilotos eram o Valentino Rossi, Max Biaggi e o Alexandre Barros, o único brasileiro que nos representou no Mundial. Dessa forma, eu comecei a ter essa vontade de pilotar e de ter moto esportiva.

M - Qual categoria você compete? Fale um pouco dessa categoria

GL - Recentemente fui promovido para a categoria Extreme, que ocorre antes da prova do Autódromo de Curvelo, onde acontecem algumas etapas do GP Gerais no Campeonato Mineiro. Tem a categoria Sport, na qual eu estava, que é a de entrada, depois vem a Sport evo, que é a evolução, e a Extreme, que é uma categoria de quem está andando muito forte. Ainda tem a Master, para pessoas acima de 45 anos. Hoje eu sou o atual campeão da categoria Sport. Minha evolução foi muito grande, então eu já pulei pra Extreme. As categorias são divididas por tempo, e o meu recorde atualmente é de 2’04’204, sendo que a Extreme vai de 2’08 a 2’03. Abaixo disso já é categoria Pro.

M -  Como tem sido o retorno das pessoas após a vitória?

GLA receptividade é muito boa, são pessoas que me conhecem e que me conheceram depois, mas não sou muito de rede social, então acompanho pouco, penso até em melhorar nisso pois algumas pessoas me cobram. Mas quem me conhece e quem tem visto as reportagens me cumprimenta. É legal principalmente porque eu era um baiano ali entre os mineiros e fui campeão.

M - Você teve um apoio de entidades do município para participar de competições?

GL - Ainda não tive incentivo da nossa cidade e nem oportunidade de conversar com empresários ou fazer alguma reunião para falar acerca desse assunto. No Brasil é muito difícil conseguir apoio em relação ao esporte, digo isso porque também sou faixa preta de jiu-jitsu e já participei de competições, e o apoio financeiro foi dos meus pais.

M - Quais prêmios você já conquistou?

GL - Recebi agora o troféu de campeão do GP Gerais, e no final do ano terá a cerimônia para receber o do Campeonato Mineiro, já que das cinco corridas que participei esse ano, eu ganhei quatro, perdi a última, mas não fez falta na pontuação.

M - Qual a mensagem que você deixa para àqueles que querem se aventurar no esporte de motovelocidade?

GL - Quem tiver vontade, pegue sua moto, vá na pista experimentar pois lá é o lugar certo para acelerar, na rua é muito perigoso, envolve muita coisa. Apesar de existir um risco na pista, ele é calculado, na rua a gente não consegue medir o risco. As pessoas têm que ir atrás dos sonhos por mais que seja difícil, por mais que os outros duvidem, nunca podemos deixar de acreditar porque ninguém pode viver o sonho de ninguém. Faça o possível e o impossível e plante coisas boas que o resultado vem.

Nicole Prado (Estagiária de Jornalismo)

Comentários