A extinção da Ancine é algo impensável, diz cineasta conquistense sobre fala de Bolsonaro

No dia 5 de novembro comemora-se o Dia do Cinema Nacional. Nos últimos anos pode-se dizer que o cinema brasileiro está em ritmo acelerado de produção. Hoje, as produções do cinema nacional tem competindo na mesma escala de trabalhos realizados por cineastas de outros países. As produções brasileiras atráves do humor ou da crítica social, tem arrecado milhões de bilheteria.

O cineasta e publicitário, Daniel Nunes, foi entrevistado nesta terça-feira (5) no programa Redação Mega,apresentado por Paulo Martins, Joabson Silva e Daniel Morais, para falar sobre a atual configuração do cinema nacional.

 

Ancine x Bolsonaro

O cinema brasileiro tem vivido o ano mais turbulento de sua história com o atual decreto do presidente Jair Bolsonaro, em que transferiu o Conselho Superior de Cinema do Ministério da Cidadania para a Casa Civil e o corte de verbas na Agência Nacional de Cinema (Ancine).

"A extinção da Ancine é algo impensável nessa estrutura que o Brasil tem de audiovisual, cinema.Nós que conseguimos levar alguns filmes para fora como Central do Brasil que rodou até em Vitória da Conquista, Cidade de Deus que foi tema de debate político em 2012, até o Lula e alguns candidatos usaram. (...)Não tem lógica você extinguir a Ancine no Brasil", afirmou Daniel sobre a recente decisão do presidente.

E questionou: "Como eu vou extinguir uma agência nacional que trata sobre o audiovisula e assim, algumas pessoas pensam que a Ancine faça só cinema, não, mas ela também trabalha com a questão da publicidade. Se a gente faz uma peça a gente tem que tirar para a Ancine, temq ue fazer esse
pagamento."

 

Alta bilheteria nos filmes de comédia 

Até hoje, o recordista de público em bilheteria foi “Minha Vida em Marte”, que atingiu 5,4 milhões de espectadores, graças à cativante presença do ator Paulo Gustavo, o novo midas da comédia brasileira.

Ajudaram as estatísticas, filmes como “De Pernas pro Ar 3”, com Ingrid Guimarães, a “rainha do blockbuster” (quase 2 milhões de espectadores), “Turma da Mônica – Laços” (ainda em cartaz e já visto por 1,7 milhão), “Kardec”, sobre o pai do espiritismo, com quase 800 mil, e parte da bilheteria do infantil “Detetives do Prédio Azul – O Mistério Italiano” (de seus 1,3 milhão de ingressos, pelo menos 500 mil foram vendidos em 2019).

Daniel destacou que o brasileiro tem uma forte tendência ao trágico e a cativante presença em salas com exibições de comédia se dá como uma válvula de escape e o brasileiro está cansado de ver só tragédia.

"Se for para analisar, a gente está muito mais apto a rir de nós mesmo, porque nossos telejornais estão escorrendo sangue pela tela, (...) os nossos blogs estão escorrendo sangue pela tela, tudo tem sido feito de uma tragédia muito grande", disse o cineasta.

 

Filtro de produções 

"O mundo tem ido pra frente, se o Brasil lança um filtro desse a gente vai voltar uns 50 anos da história", foi com essa frase que Daniel pontuou a fala de Bolsonaro sobre a não liberação de verbas para projetos que envolvem temáticas LGBT e de sexualidade.

Nunes levanta a questão que ao filtrar tais temáticas, grande parcela da população não se sentirá representada nas telonas.

 

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