Relatos da Chapada Diamantina por Eduardo Bernardes

A impressão que causa é a de que em breve teremos o acesso a partir de Vitória da Conquista quase todo em boas condições, pelo menos até Andaraí

Por Eduardo Bernardes

Quem já conhece a Chapada Diamantina sabe que a dificuldade maior de chegar até lá, são as estradas cheias de buracos, e uma viagem que poderia ser rápida e tranquila, demora muito mais, e os riscos de um pneu furado ou mesmo a roda do seu carro destruída podem causar aquele desconforto que ninguém merece. Mas isso está mudando e nesse período de pandemia grande parte do trecho que sempre foi terrível e cansativo já se encontra renovado.

A impressão que causa é a de que em breve teremos o acesso a partir de Vitória da Conquista quase todo em boas condições, pelo menos até Andaraí. Outra notícia boa foi perceber que o isolamento das cidades que cercam aquela região e na falta de turistas, muita coisa aconteceu, como ver novas casas de pedra em construção e melhorias nas pousadas que devem começar a receber de volta os turistas ainda este final de ano.

Além das belas paisagens e trilhas que estão bem limpas, o que se ouve são histórias, lendas e aleivosias que temos que aprender a separar quando queremos aprender um pouco mais sobre o lugar. Alguns guias sabem contar de terem ouvido como os velhos garimpeiros se irritavam com a sorte de quem “lavava a jega no bagaço do jambeiro” ou de como era feita a “amarração de embrecho” na construção do casario, usando lascas de pedra e tabatinga.

Além dessas histórias também se ouve muito dizer que ali já foi mar, tem gente que vê as marcas de ondas das praias desse Mar Caboclo nos arenitos que são usados no piso de museus e ruas das cidades. Isso já é uma coisa que a gente deve tomar cuidado, consultar um guia que conhece a história geológica daquelas montanhas ou mesmo buscar um bom livro como “História Natural da Bahia” no comércio local. Mas alguns lugares guardam nomes que remetem a esse mar ancestral, como são os “Três navios”, para quem percorre a trilha e se encanta com as formas que as pedras ganharam durante todo o tempo que ali estiveram expostas ao vento, à chuva e ao sol. E não sair nas trilhas sem um guia porque ali é muito fácil de se perder, com o olhar nos Gerais do topo da Chapada a vista se confunde no todo e a noite é fria e sempre chove pela manhã. 
 

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