Desigualdade racial reflete nos índices de desemprego na Bahia

A Taxa de desocupação dos homens negros supera o respectivo índice para os brancos, com 499 mil homens negros sem trabalho no mesmo período no estado

No mês de celebração da Consciência Negra, a Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), autarquia vinculada à Secretaria do Planejamento e única Secretaria de estado do Brasil voltada para a promoção da igualdade racial, chama atenção para a desigualdade existente no mercado de trabalho e para as ações voltadas a diminuição desses índices. 

Conforme os dados mais recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),  trimestral para o estado, no segundo trimestre de 2021, do total de 14,9 milhões de baianos, 80,3% da população era composta por pessoas negras, ou seja, de indivíduos pretos (22,1%) e pardos (58,1%). 

Ainda de acordo com IBGE, no Brasil, a taxa de desemprego caiu para 13,2% em agosto, mas ainda atinge 13,7 milhões de pessoas. Apesar da queda do desemprego, o avanço do trabalho por conta própria sem CNPJ e o emprego sem carteira assinada, fez a taxa de informalidade passar de 40% no trimestre encerrado em maio para 41,1%, no trimestre encerrado em agosto, totalizando 37 milhões de pessoas.

Na Bahia, no mesmo período, segundo trimestre de 2021, em que as mulheres negras refletiam 41,9% da população total do estado e 35,7% da força de trabalho, 628 mil mulheres negras estavam na condição de sem ocupação. A taxa de desocupação dos homens negros (16,1%) também supera o respectivo índice para os brancos (12,8%), com 499 mil homens negros sem trabalho no mesmo período no estado.

Uma saída (?)

Para os que pensam em empreender, já que o mercado de trabalho não inclui, o processo também não é fácil. De acordo com  a 11ª edição da Pesquisa de Impacto da Pandemia do Coronavírus nas Micro e Pequenas Empresas, realizada pelo Sebrae em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), empreendedores negros têm mais crédito negado, apesar de serem os que mais pedem empréstimo. 

Enquanto 57% dos empreendedores brancos conseguem ter uma resposta positiva das instituições financeiras, entre os negros, essa proporção cai para 44%. A pesquisa ainda detectou que as perdas de faturamento são piores entre os empreendedores negros: 81% deles alegam ter tido perda de faturamento. Já entre os empreendedores brancos, essa proporção cai para 77%, apesar de ambos terem tido um valor de redução de vendas muito próximos a 50%.

“Os empreendedores negros têm uma menor escolaridade, estão há menos tempo no empreendedorismo, atuam em atividades que não exigem muita qualificação e preparo e 70% são microempreendedores individuais, o que acaba afetando mais fortemente o desempenho desses pequenos negócios”, observa opresidente do Sebrae, Carlos Melles.

Carine Roos, especialista em Diversidade, Equidade e Inclusão acredita que as lideranças precisam estabelecer ações de fortalecimento da identidade étnico-racial dentro das organizações através de políticas de promoção da igualdade racial. “(Essas políticas) também são formas de produzir saúde, bem-estar e qualidade de vida para a população negra dentro das empresas. O tema de políticas públicas de saúde mental, sobretudo para a população negra, é urgente”, aponta a especialista.

Saúde mental

Dados divulgados pelo Ministério da Saúde em setembro deste ano, mostram que o perfil dos jovens de 15 a 29 anos que se suicidaram no período de 2011 a 2017 era majoritariamente do sexo masculino (79,0%), negros (54,9%), com 4 a 11 anos de estudo (58,2%), e de situação conjugal solteira, viúva ou divorciada (84,0%).

“Essa probabilidade de risco maior está relacionada, muitas vezes, ao sofrimento psíquico oriundo do racismo estrutural. Por isso, mais do que nunca, torna-se essencial trazer a saúde mental da população negra para o centro dos debates, seja no meio acadêmico ou empresarial”, defende Carine Roos.

Ações voltadas à população no estado

Na Bahia, algumas ações foram tomadas visando a população mais vulnerável. Uma delas foi a criação do programa Estado Solidário, um pacote de medidas lançado pelo Governo da Bahia para garantir alimento e necessidades básicas de famílias de baixa renda na pandemia, proteger o emprego e apoiar quem produz. 

Dentro desse pacote, o Projeto Conectar que tem como público-alvo, trabalhadoras autônomas, rodoviários desempregados, condutores de vans escolares e de transporte complementar, ofereceu uma bolsa-auxílio no valor de R$ 240 para ingressos, e beneficiou seis mil pessoas, de 411 municípios, com a iniciativa que contou com um investimento de R$ 2,4 milhões.

As capacitações foram nas áreas: Redes Sociais como Ferramenta de Marketing; Inglês EAD Básico e Pré-Intermediário; Digital Influencer; Unhas Artísticas + Manicure Profissional; Marketing Digital & E-commerce; Fotografia Digital; Cuidador de Idosos; Gastronomia com ênfase na culinária vegana; Marketing Digital para o Empreendedor; Profissional Organizer; Reciclagem de Rodoviários e Motoristas de Vans.

O Centro de Referência de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa Nelson Mandela, vinculado à Secretaria de Promoção da Igualdade Racial do Estado (Sepromi), oferece apoio psicológico, social e jurídico a vítimas de racismo e intolerância religiosa na Bahia, desde dezembro de 2013.

Uma equipe multidisciplinar está à disposição da população para atendimento gratuito, de segunda a sexta-feira, das 9h às 12h e das 14h às 17h, na Avenida Sete de Setembro, em Salvador. 

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