“Se queriam preservar minha filha, não deveriam ter perguntado a ela” diz mãe de menina que teve aborto negado

Após a repercussão do caso, a menina conseguiu fazer o aborto

Foto: Reprodução/Google Street View


A mãe da criança de 11 anos que foi impedida de realizar um aborto legal após ser vítima de um estupro criticou a conduta da juíza Joana Ribeiro Zimmer, que determinou que a menina ficasse em um abrigo para evitar a interrupção da gestação. Em entrevista ao programa "Fantástico", da Rede Globo, exibida neste domingo (26), a mãe pontuou que ela deveria ser ouvida sobre, o futuro de sua filha, já que sua filha tem apenas 11 anos.  

"Eu deveria responder por ela [durante a audiência], é uma criança imatura. Me senti um nada porque não podia tomar a decisão pela vida da minha filha, chorei, me desesperei, gritei dentro do fórum. Até me chamaram de desequilibrada", disse a mãe na entrevista. ​

Sem ser identifica ou mostrar o rosto, a mãe comentou a audiência realizada em maio, quando a juíza e a promotora Mirela Dutra Alberton, do Ministério Público de Santa Catarina, tentaram induzir a criança a desistir do aborto. As duas chegaram a propor que a criança continuasse a gravidez por mais "uma ou duas semanas", para aumentar a chance de vida do feto. A magistrada perguntou à vítima se ela "suportaria" manter a gravidez "mais um pouquinho".

"Se eles queriam preservar tanto a minha filha, era algo que não deveria ter sido perguntado para ela. Acho que eu deveria responder por ela, não ela", disse a mãe na entrevista de domingo (26).

A legislação brasileira permite a realização do aborto em casos de estupro, risco à mãe e gravidez de feto anencéfalo independentemente da semana de gestação e sem a exigência de uma autorização judicial. Na época, a gestação passava de 22 semanas. Após a repercussão do caso, a menina conseguiu fazer o aborto. 

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