Cazuza e a luta pública contra a AIDS

  • Danilo Souza

O cantor e compositor Agenor Miranda de Araújo Neto, mais conhecido como Cazuza, foi um dos maiores artistas da década de 1980 no cenário da música nacional. Nascido na capital do Rio de Janeiro, Cazuza sempre foi uma personalidade de muita autenticidade e faleceu aos 32 anos lutando contra a AIDS.

Cazuza, em 1985, durante apresentação com o Barão Vermelho no festival "Rock In Rio”. Foto: Reprodução

A linha cronológica do estado de saúde do artista aconteceu com as suspeitas da infecção pelo HIV no ano de 1985, mas somente em 1987 veio a confirmação que Cazuza era soropositivo. Dois anos depois, em 1989, o cantor anunciou ao público que era uma pessoa portadora de AIDS. Cazuza foi a primeira celebridade brasileira a se declarar publicamente sobre a doença, um marco para época e que gerou uma grande reação do público e da imprensa, visto que as Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) eram tratadas como tabu. A mídia foi a principal difusora de matérias polêmicas e notícias sensacionalistas sobre a declaração de Cazuza.


Capa da Revista Veja, em 1989, após Cazuza declarar ter AIDS

Mesmo com o estado avançado da doença, o cantor não parou de se apresentar e se dividia entre o tratamento de AZT, o único medicamento com eficácia contra o HIV na época, em Boston, nos Estados Unidos, e a vida de artista no Brasil. Durante o período da doença, Cazuza ainda gravou um álbum, “Burguesia”, de 1989, e fez turnê pelo país. Em suas letras citava a doença, como no trecho "O meu prazer agora é risco de vida" da música "Ideologia". Alguns amigos próximos de Cazuza relataram anos depois que o artista sempre continuou a compor e gravar músicas mesmo estando acamado.

A última aparição pública de Cazuza ocorreu no Prêmio Sharp de Música, em 1989, para receber os prêmios de “Melhor Canção do Ano” com a faixa “Brasil” e “Melhor Álbum do Ano” com o disco “Ideologia”. Ele apareceu visualmente mais magro, com a voz fraca e ainda sentado em uma cadeira de rodas. Agenor Miranda de Araújo Neto, o nosso Cazuza de espírito rebelde e um dos maiores artistas que o Brasil já viu, morreu no dia 07 de julho de 1990, no Rio de Janeiro, após uma luta incansável pela música e contra a AIDS.

Cazuza no "Prêmio Sharp", em 1989, visivelmente mais enfraquecido e magro

Cazuza se tornou um símbolo para a luta contra a doença e com muita coragem o artista viveu todos os seus dias sempre de cabeça erguida. A sua mãe, Lucinha Araújo, criou a ONG Viva Cazuza, que fechou as portas em 2020, após 30 anos em atividade ajudando crianças e adolescentes soropositivos. A imagem do artista foi além de sua marca no cenário da música nacional e deixou um legado para a conscientização sobre os efeitos da AIDS, que ainda mata 13 mil pessoas por ano no Brasil, segundo o relatório de 2022 da Unaids, programa da Organização das Nações Unidas (ONU). Cazuza nunca morreu, ele vive como símbolo e artista.

*Texto escrito em colaboração com Mariana Martins, estudante de Jornalismo na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia


Danilo Souza

Estudante de Jornalismo pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), músico e produtor audiovisual independente.

danilosouza.jornalismo@gmail.com (Email)

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