Cetas de Vitória da Conquista encerra 2025 com mais de 3 mil animais silvestres resgatados e reforça combate ao tráfico de fauna
O Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) de Vitória da Conquista encerrou 2025 com números que evidenciam a dimensão do trabalho desenvolvido ao longo do ano e a relevância do equipamento no enfrentamento ao tráfico de fauna e na preservação ambiental. De acordo com o balanço oficial, 3.192 animais silvestres deram entrada na unidade durante os 12 meses, provenientes de diferentes situações de risco e ilegalidade.
Os animais chegam ao Cetas principalmente por meio de apreensões em ações de fiscalização, resgates de espécimes feridos, atropelados ou em condições inadequadas, além de entregas voluntárias feitas por pessoas que mantinham animais em cativeiro ilegal. O centro também recebe encaminhamentos da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Polícia Militar, Ibama, Inema, outros Cetas e até transferências interestaduais, o que reforça sua importância regional e estadual.
Maioria retorna à natureza
Do total de animais acolhidos em 2025, 2.589 foram reintroduzidos ao habitat natural, após passarem por atendimento veterinário e processos de reabilitação, o que representa 72,83% das ocorrências. Outros 88 animais (2,48%) foram transferidos para zoológicos ou centros especializados, enquanto 267 permanecem sob cuidados na unidade, em tratamento ou aguardando destinação adequada.
O levantamento aponta ainda 548 óbitos (15,41%), em sua maioria decorrentes do estado crítico em que muitos animais chegam ao centro, vítimas de maus-tratos, tráfico ou acidentes. Casos classificados como fuga ou outros desfechos somaram 63 registros (1,77%). Ao final do ano, 267 animais continuavam sob acompanhamento do Cetas, o equivalente a 7,51% do total atendido.
Números dentro da média histórica
Segundo a equipe técnica, a movimentação registrada em 2025 está dentro da média dos últimos anos. O volume de animais recebidos, devolvidos à natureza ou mantidos em tratamento reflete a continuidade das ações de fiscalização, resgate e conscientização, sem indicar aumento atípico na demanda.
Essa estabilidade, de acordo com o centro, evidencia tanto o trabalho integrado entre os órgãos ambientais quanto avanços graduais na conscientização da população, embora o tráfico de fauna siga como um desafio permanente.
Aves ainda são as principais vítimas
As aves silvestres continuam liderando os casos de apreensão na região. Entre as espécies mais recorrentes estão canário-da-terra, curió, bicudo e caboclinho, além de papagaios, periquitos e canários. A preferência por essas aves está relacionada principalmente ao canto e à facilidade de transporte ilegal.
Ocorrências de destaque em 2025
Algumas ações chamaram atenção ao longo do ano pelo volume de animais envolvidos, como:
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O recebimento de 123 jabutis, encaminhados pelo Ibama do Rio de Janeiro;
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A apreensão de 94 aves em Poções, em operação conjunta da PRF, Polícia Civil e Inema;
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A apreensão de 176 aves em Iguaí, durante ação do Inema;
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O encaminhamento de 32 curiós, apreendidos pelo Ibama em Salvador.
As ocorrências reforçam a integração entre os órgãos ambientais e de segurança pública no combate ao tráfico de animais silvestres.
Conscientização ainda é o maior desafio
Veterinário do Cetas há mais de duas décadas, Aderbal Azevedo avalia que, apesar dos avanços, o tráfico de fauna ainda preocupa. “A gente sempre cria a expectativa de que o número de animais diminua, mas nem sempre isso acontece. Por outro lado, percebemos que a consciência das pessoas tem aumentado, e isso nos anima, porque acreditamos que, com o tempo, menos animais vão dar entrada aqui”, afirmou.
Ele ressalta que a redução no fluxo de animais seria um sinal positivo para a preservação ambiental. “Eu sempre digo: eu não mato, eu não caço, eu não prendo, mas eu como. E quem come caça, estimula quem mata. Pode parecer repetitivo, mas é aquela velha história: água mole em pedra dura, tanto bate até que fura. A consciência ambiental precisa ser construída todos os dias”, reforçou.
A secretária municipal de Meio Ambiente, Ana Cláudia, também destacou a importância do centro. “O Cetas é um dos setores da Semma que realiza um trabalho considerado referência internacional pelo cuidado e dedicação aos animais silvestres. Ao longo de mais de 25 anos, o centro desempenha um papel fundamental na recuperação de animais e na manutenção da biodiversidade”, afirmou. Ela ainda ressaltou a necessidade do envolvimento da população na preservação ambiental, para que futuras gerações possam conhecer espécies ameaçadas de extinção.
Referência no sudoeste baiano
Com 25 anos de atuação, o Cetas de Vitória da Conquista já ultrapassou a marca de 80 mil animais atendidos desde sua criação, consolidando-se como referência no sudoeste da Bahia e em todo o estado. Vinculado à Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), o centro é atualmente o único dos três Cetas da Bahia em funcionamento para receber animais e está entre os poucos do país mantidos pela administração municipal.
Localizado na Serra do Periperi, o equipamento ambiental exerce papel essencial no combate ao tráfico de fauna e na preservação da biodiversidade regional. Atualmente, o Cetas passa por um processo de ampliação, com a construção de novos espaços para melhorar a acomodação e o manejo dos animais.
Como ajudar
A população pode contribuir com o trabalho do Cetas e com a preservação da biodiversidade evitando a compra de animais silvestres como pets, não consumindo carne de caça e denunciando criações irregulares. As denúncias podem ser feitas pelo telefone (77) 3423-2247 ou pelo e-mail cetasvca@yahoo.com.br. A partir das informações recebidas, a equipe realiza o resgate e garante os cuidados necessários aos animais.
Com informações da SECOM









