Bahia mobiliza ciência e comunidades para salvar espécies ameaçadas na Mata Atlântica
O Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) deu um passo decisivo para a proteção da fauna e flora baianas com o lançamento do Programa Estadual de Monitoramento da Biodiversidade. A iniciativa, que teve seu planejamento inicial no Parque Estadual de Ponta da Tulha, em Ilhéus, foca na preservação de ecossistemas críticos e espécies que correm risco real de desaparecimento, unindo tecnologia, pesquisa científica e o conhecimento das comunidades locais.
O palco inicial dessa operação são os Parques Estaduais de Ponta da Tulha e da Serra do Conduru, no sul do estado. Juntas, essas unidades de conservação protegem mais de 1,7 milhão de hectares de um dos biomas mais ricos e ameaçados do planeta. A região abriga um mosaico de florestas tropicais, restingas e manguezais que servem de refúgio para dois ícones da biodiversidade baiana: a preguiça-de-coleira-do-nordeste e o mico-leão-da-cara-dourada . Ambas as espécies são endêmicas e figuram na lista oficial de ameaçadas, tornando o monitoramento uma questão de urgência ambiental.
Inspirado no bem-sucedido Programa Monitora do ICMBio, o modelo baiano aposta na simplicidade e na eficiência. A metodologia utiliza técnicas de baixo custo e promove o monitoramento participativo, onde moradores do entorno das áreas protegidas atuam lado a lado com cientistas na coleta de dados. Segundo Mara Angélica dos Santos, coordenadora de Gestão da Biodiversidade do Inema, o objetivo é transformar a conservação em uma política baseada em evidências, permitindo que o Estado entenda a situação real das espécies para orientar estratégias de proteção mais precisas.
Além de salvar espécies, o programa pretende fortalecer a governança ambiental na Bahia. Os dados gerados servirão para medir o impacto das atividades humanas e a eficácia das políticas públicas vigentes. Durante as etapas de implementação, o projeto prevê a capacitação técnica, a compra de equipamentos modernos e o financiamento de bolsas de pesquisa, garantindo que a preservação da biodiversidade seja também um motor de conhecimento científico e desenvolvimento social para a região.









