Ela quebrou o último muro: primeira mulher chega ao mais alto posto da PM da Bahia e faz história Você gosta desta personalidade?
Coronel PM Ivana Teixeira Andrade. Foto: Sgt RR/C Magno
A promoção da tenente-coronel Ivana Teixeira Andrade ao posto de coronel da Polícia Militar da Bahia entra para a história da corporação e do próprio estado. Pela primeira vez em 200 anos, uma mulher alcança o mais alto posto da PM baiana, rompendo uma barreira simbólica que por décadas limitou a presença feminina nos espaços de maior poder e decisão dentro das forças de segurança. O feito não é apenas individual: representa um avanço coletivo para as mulheres e um sinal de transformação institucional.
Integrante do Quadro de Oficiais de Saúde (QOS), a coronel Ivana construiu uma trajetória sólida ao longo de 32 anos de serviço. Graduada em Odontologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e formada no Curso de Comando e Estado Maior (CCEM) — pré-requisito para a ascensão ao posto —, ela reúne duas áreas que historicamente caminharam separadas dentro da lógica militar: o cuidado com a saúde e a estratégia de comando. Ao longo da carreira, atuou tanto no atendimento direto quanto na gestão, especialmente à frente da Odontoclínica da corporação, demonstrando capacidade técnica e liderança administrativa.
Reconhecida com condecorações como a Medalha Marechal Argolo, a Medalha Três Marias e as medalhas de 10, 20 e 30 anos de serviços prestados, Ivana Andrade simboliza uma geração de mulheres que ingressou na PM em um contexto de pouca representatividade feminina. Ela conta que prestou o concurso aos 24 anos, recém-formada, sem imaginar exatamente o que significava ser policial militar. A adaptação veio com disciplina e dedicação — características que marcaram toda a sua trajetória até o topo da hierarquia.
O impacto dessa promoção vai além dos quartéis. Para as mulheres, especialmente as mais jovens, a chegada de uma coronel à mais alta patente funciona como um poderoso exemplo de que é possível ocupar espaços historicamente masculinos. A representatividade tem efeito prático: inspira vocações, fortalece a autoestima profissional e amplia o horizonte de possibilidades para mulheres que desejam seguir carreira na segurança pública. Ao afirmar, emocionada, que espera ver muitas outras mulheres ocupando aquele espaço em breve, Ivana traduz o caráter coletivo desse avanço.
Do ponto de vista institucional, a promoção sinaliza mudanças importantes para a Polícia Militar da Bahia. A presença feminina em cargos de comando tende a contribuir para uma corporação mais diversa, sensível às diferentes realidades sociais e mais próxima da população. Estudos e experiências em outras instituições mostram que a diversidade no comando pode refletir em novas abordagens de gestão, maior atenção a políticas internas de valorização profissional e até em formas mais humanizadas de atuação junto à sociedade.
As promoções anunciadas pelo governador Jerônimo Rodrigues, publicadas no Diário Oficial do Estado em 4 de fevereiro, fazem parte de um conjunto de 130 avanços na carreira de oficiais, reforçando o compromisso do governo estadual com o fortalecimento da tropa. O fato de 11 mulheres terem alcançado, nessa mesma promoção, o posto de tenente-coronel reforça que a ascensão feminina, embora ainda desigual, está em curso.
Ao falar sobre os desafios enfrentados pelas mulheres, Ivana Andrade destaca uma realidade compartilhada por muitas: a conciliação entre carreira, família e múltiplos papéis sociais. “Nós mulheres temos uma vida muito cheia de atividades”, afirmou, ao lembrar que ser esposa, mãe e filha muitas vezes impõe uma sobrecarga invisível. Para ela, é justamente nesse equilíbrio difícil que reside também a força feminina.
A chegada da primeira mulher ao posto de coronel da PM da Bahia não encerra um ciclo, mas inaugura uma nova etapa. É um marco que aponta para uma corporação mais plural e para uma sociedade que começa a reconhecer, de forma concreta, o lugar das mulheres também nos mais altos níveis da segurança pública.








