Brasil bate recorde de feminicídios em 2025 com média de quatro mulheres assassinadas por dia
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
O Brasil registrou em 2025 o maior número de feminicídios de sua série histórica. De acordo com os dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), vinculado ao Ministério da Justiça, o país contabilizou 1.470 mulheres assassinadas no ano passado por questões de gênero, superando a triste marca de 1.464 vítimas registrada em 2024. O índice representa uma média oficial de quatro mortes diárias.
A taxa nacional se manteve estável em 0,69 mortes a cada 100 mil habitantes, a mesma verificada desde 2022. Em números absolutos, os estados mais populosos lideram o ranking de violência letal contra a mulher: São Paulo registrou 233 casos em 2025, seguido por Minas Gerais, com 139.
Desde que o Sinesp começou a contabilizar os dados, em 2015, o Brasil já somou 13.448 vítimas de feminicídio. Historicamente, São Paulo (1.774), Minas Gerais (1.641) e Bahia (892) concentram os maiores números absolutos da última década.
Subnotificação e o cenário real
Apesar da gravidade dos números oficiais, especialistas apontam que a realidade é ainda mais alarmante. O Relatório Anual de Feminicídios no Brasil 2025, elaborado pelo Laboratório de Estudos de Feminicídios da Universidade Estadual de Londrina (Lesfem/UEL), indica que a subnotificação mascara o verdadeiro cenário do país.
Por meio do Monitor de Feminicídios no Brasil (MFB), que cruza dados oficiais com fontes não estatais (como notícias e boletins locais), as pesquisadoras do Lesfem identificaram 6.904 vítimas de feminicídio em 2025 — somando casos consumados e tentativas. Deste total, 2.149 foram assassinatos de fato, elevando a média real para quase seis (5,89) mulheres mortas por dia.
O perfil das vítimas e dos agressores
O estudo acadêmico também traçou o perfil das ocorrências de 2025, evidenciando que o perigo, na grande maioria das vezes, está dentro de casa:
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Vínculo e Local: 75% dos crimes ocorreram no âmbito íntimo (cometidos por companheiros, ex-companheiros ou pais dos filhos da vítima). A maioria das agressões letais aconteceu na própria casa da mulher (38%) ou na residência do casal (21%).
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As vítimas: A maior parcela (30%) tinha entre 25 e 34 anos. Pelo menos 22% delas já haviam denunciado seus agressores anteriormente.
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Órfãos: 69% das vítimas tinham filhos ou dependentes, o que resultou em 1.653 crianças deixadas órfãs. Além disso, 101 vítimas estavam grávidas no momento do crime.
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Os agressores: Com idade média de 36 anos, 94% dos agressores agiram sozinhos. A arma branca (faca, foice ou canivete) foi o meio utilizado em quase metade (48%) dos crimes.
Em 67% das ocorrências analisadas, a prisão do suspeito foi confirmada. Em cerca de 7,9% dos casos, o agressor morreu após cometer o feminicídio, sendo o suicídio a causa mais frequente.









