“É necessário que as mulheres estejam na política não só pela representação, mas por serem a maior parte da classe trabalhadora”, diz Jéssica Fontes, militante da UP
Foto: Reprodução/Instagram Olga Benário
O Dia Internacional da Mulher foi comemorado no último domingo (8). A data foi oficializada pela Organização das Nações Unidas em 1977 e simboliza a luta histórica por respeito, equidade e direitos das mulheres. Com raízes em movimentos trabalhistas e feministas do século XX, a data rememora mobilizações de mulheres trabalhadoras que reivindicavam melhores condições de trabalho, igualdade salarial, jornadas dignas e participação política, como a conquista do direito ao voto no Brasil em 1932.
No entanto, mesmo após mais de nove décadas de um dos primeiros avanços para a participação feminina na política, ainda há obstáculos. Segundo levantamento da GloboNews, entre os dez partidos com maior representatividade na Câmara dos Deputados do Brasil, oito não alcançam 30% de presença feminina nas executivas nacionais. Além disso, o Brasil ocupa a 133ª posição no ranking global de mulheres no parlamento, com cerca de 17,7% das cadeiras da Câmara ocupadas por mulheres em 2022, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral. Os números reforçam que a presença feminina nos espaços políticos ainda é uma pauta recorrente no debate público sobre democratização, inclusão e reparação histórica.
Em Vitória da Conquista, o protagonismo feminino na política teve início com Geny Fernandes de Oliveira Rosa, primeira mulher a assumir uma cadeira na Câmara Municipal de Vitória da Conquista, em 1936. Atualmente, a prefeitura do município é administrada por Sheila Lemos, primeira mulher a ocupar o cargo de forma definitiva. Apesar disso, embora as mulheres representem cerca de 54% do eleitorado da cidade, elas ocupam apenas 9,5% das cadeiras no Legislativo municipal.
Em entrevista à Mega Rádio, a militante Jéssica Fontes, filiada ao Unidade Popular (UP), comentou o cenário político para as mulheres no município. “Apesar de Vitória da Conquista ter uma mulher à frente da gestão municipal, existe um distanciamento no diálogo com os movimentos sociais voltados às mulheres. O combate às opressões, no município, acaba ficando limitado à estrutura burocrática das instituições”, afirmou.
Ela também destacou a importância da presença de mulheres trabalhadoras nos espaços políticos. Como exemplo, citou a pré-candidatura à Presidência da República de Samara Martins, do mesmo partido. Segundo Fontes, a escolha representa a possibilidade de que mulheres da classe trabalhadora, que enfrentam diretamente problemas sociais como dificuldades no acesso à saúde, aumento do preço dos alimentos e jornadas de trabalho exaustivas, participem da política institucional.
Jéssica também ressaltou pautas que, segundo ela, continuam centrais nas mobilizações do 8 de março, como o fim da escala de trabalho 6x1, o combate à violência política de gênero e ao feminicídio, além da ampliação de políticas de proteção às mulheres. Esses temas devem ser debatidos no Encontro Territorial pela Vida das Mulheres, organizado pelo Movimento Olga Benário, que será realizado neste domingo (8).









