São Paulo confirma primeiro caso de sarampo de 2026; infecção foi importada da Bolívia

Paciente é uma bebê de seis meses que não possuía histórico de vacinação. Apesar de explosão de casos nas Américas, Brasil mantém status de país livre da doença graças à alta cobertura vacinal
São Paulo confirma primeiro caso de sarampo de 2026; infecção foi importada da Bolívia

Tânia Rêgo/Agência Brasil/Arquivo

  • Da Mega
  • Atualizado: 23/03/2026, 10:30h

A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo confirmou o primeiro caso de sarampo registrado no estado — e no Brasil — no ano de 2026. A paciente é uma bebê de seis meses que contraiu a doença durante uma viagem à Bolívia, país que atualmente enfrenta surtos da infecção.

De acordo com as autoridades de saúde, a menina não era vacinada e permaneceu no país vizinho até janeiro deste ano. Os primeiros registros médicos ocorreram em fevereiro, e o diagnóstico laboratorial definitivo foi confirmado no dia 4 de março, após a criança apresentar febre e as manchas na pele características da doença.

Alta transmissibilidade e gravidade

O Ministério da Saúde alerta que o sarampo é uma das doenças infecciosas mais contagiosas do mundo. A transmissão ocorre por via aérea — através de gotículas expelidas ao falar, tossir, espirrar ou respirar — e uma única pessoa infectada pode transmitir o vírus para até 90% dos contatos próximos que não estejam imunes. O período de contágio abrange desde seis dias antes até quatro dias após o aparecimento das lesões na pele.

Os sintomas iniciais costumam ser confundidos com outras viroses e exigem atenção médica rápida. Os principais sinais incluem:

  • Febre alta;

  • Exantema (manchas vermelhas espalhadas pelo corpo);

  • Coceira intensa nas mãos;

  • Tosse e coriza;

  • Conjuntivite.

Se não tratada adequadamente, a infecção pode evoluir para complicações severas, como pneumonia, convulsões, lesões cerebrais e, em casos extremos, levar à morte.

Alerta nas Américas e o escudo vacinal brasileiro

A situação nas fronteiras e a importação de casos acendem um alerta, especialmente porque a região das Américas perdeu, no fim do ano passado, o certificado de eliminação da doença concedido pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). Em um boletim epidemiológico divulgado em 3 de fevereiro de 2026, a entidade confirmou 1.031 casos apenas nas primeiras semanas do ano — um aumento de cerca de 43 vezes em relação ao mesmo período de 2025.

Apesar do cenário continental preocupante, o Brasil conta atualmente com uma barreira de proteção sólida. O país, que já havia perdido o selo de erradicação no passado, conseguiu recuperar a certificação da OMS ao atingir novamente a meta de 90% ou mais de cobertura vacinal, sendo considerado hoje um território livre da doença.

As autoridades de saúde ressaltam que, embora o sarampo seja possivelmente a enfermidade de disseminação mais rápida do mundo, a alta taxa de imunização nacional cria um forte bloqueio. Dessa forma, quando o vírus é reintroduzido no país por viajantes — como no caso da bebê recém-chegada da Bolívia —, ele tem extrema dificuldade em encontrar pessoas desprotegidas para dar início a um surto em larga escala. Em 2025, por exemplo, o Brasil conteve a circulação registrando apenas 38 casos pontuais em todo o ano.

Vacinação é a única forma de prevenção

A imunização é a principal e mais eficaz barreira contra o sarampo. A vacina é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e integra o Calendário Nacional de Vacinação.

Esquema vacinal recomendado:

  • Crianças: A primeira dose deve ser aplicada aos 12 meses de vida, e a segunda dose aos 15 meses.

  • Pessoas de 5 a 29 anos: Caso não possuam comprovação vacinal na infância, devem receber duas doses, com intervalo mínimo de 30 dias entre elas.

  • Pessoas de 30 a 59 anos: Devem receber uma dose única, caso não tenham registro de imunização anterior.

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