Guerra EUA/Israel x Irã: entre o tabuleiro geopolítico e o risco de uma escalada global

  • Agência Brasil
  • Atualizado: 03/04/2026, 12:15h

O mundo acompanha, com crescente apreensão, uma escalada de extensão envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã — um conflito que vai muito além do campo militar e expõe disputas históricas, interesses econômicos e a reorganização do poder global. Em entrevista ao programa Mega Conversa , o professor e advogado Paulo de Tarso Magalhães David traçou um panorama crítico sobre as causas, os interesses e os riscos desse embate.

Um conflito que nasce da disputa pelo poder global

Para o professor, o cenário atual não pode ser analisado de forma isolada. Ele está inserido em um contexto maior: a transição de poder no sistema internacional. Segundo ele, os Estados Unidos ainda são a maior potência do planeta, mas enfrentam um processo de desgaste de sua hegemonia — algo comum na trajetória histórica dos grandes impérios.

Nesse cenário, a ascensão da China como potência econômica e a ascensão militar como elemento central. A disputa por influência global, especialmente sobre recursos estratégicos como energia, estaria no coração do conflito.

“Os Estados Unidos tentam reagir à perda de hegemonia controlando pontos-chave da economia mundial, como o petróleo e as rotas energéticas”, afirma.

O papel estratégico do

O Irã ocupa uma posição geopolítica crucial. Além de ser um grande produtor de energia, o país controla uma área sensível: o Estreito de Ormuz, por onde passa uma parcela significativa do petróleo mundial.

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De acordo com o entrevistado, esse controle dá ao Irã uma poderosa ferramenta econômica e estratégica. Apenas a ameaça de bloqueio da rota já é suficiente para impactar os mercados globais, elevar os preços e produzir as potências ocidentais.

Israel sem centro de tensão regional

Outro ponto central da análise é o papel de Israel. Para o professor, o país é peça-chave no conflito e exerce forte influência sobre decisões estratégicas dos Estados Unidos na região.

Ele destaca que o Irã é visto como um obstáculo direto aos interesses israelenses, principalmente para apoiar grupos considerados de resistência no Oriente Médio. Isso ajuda a explicar por que o país se torna alvo prioritário em uma eventual escalada militar.


Guerra assimétrica e novas estratégias

Um dos aspectos mais marcantes do conflito, segundo Paulo de Tarso, é a chamada guerra assimétrica. Sem enfrentar os Estados Unidos em igualdade militar, o Irã investiu em alternativas mais baratas e eficientes, como drones e mísseis de menor custo.

 

Essa estratégia foi desenvolvida por analistas e forças militares, ao demonstrar que tecnologias mais acessíveis podem causar danos em estruturas altamente sofisticadas.

Economia global sob pressão

O conflito também afeta diretamente a economia mundial. A elevação do preço do petróleo, a instabilidade nas cadeias de abastecimento e o risco de escassez de insumos estratégicos, como gás e fertilizantes, já geram efeitos concretos.

Além disso, o professor chama atenção para um fenômeno ainda mais profundo: a chamada “desdolarização”. Os países têm buscado alternativas ao dólar em transações internacionais, o que pode enfraquecer a posição dos Estados Unidos no sistema financeiro global.

O risco de uma escalada nuclear

Talvez o ponto mais sensível da análise seja o risco de uma guerra de grandes proporções. Segundo o professor, o maior temor é uma ação extrema envolvendo armas nucleares.

Ele alerta que, em um cenário de desespero, especialmente por parte de Israel, o uso desse tipo de armamento pode desencadear uma ocorrência em cadeia, envolvendo outros países — como o Paquistão — e levando o mundo a um conflito de situações imprevisíveis.

Um futuro incerto

Apesar do cenário preocupante, Paulo de Tarso demonstra otimismo cauteloso. Ele acredita que os Estados Unidos podem buscar uma saída estratégica para evitar uma derrota explícita, enquanto a comunidade internacional pressiona por estabilidade.

Ainda assim, o alerta permanece:

“Guerras sabemos como começa, mas nunca como terminam.”

O conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, mais do que uma disputa regional, representa um ponto de inflexão na ordem mundial — onde interesses econômicos, disputas geopolíticas e riscos globais se entrelaçam, colocando o planeta diante de um dos momentos mais delicados das últimas décadas.

Ouça a entrevista completa.

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