Irã rejeita nova rodada de negociações com os Estados Unidos

Agência estatal iraniana acusa o governo norte-americano de exigências excessivas às vésperas do fim da trégua; tráfego marítimo é novamente paralisado após ataques a embarcações

Foto: Casa Branca/Molly Riley
  • Ane Xavier
  • Atualizado: 20/04/2026, 09:52h

O Irã anunciou neste domingo (19) que não participará de uma segunda rodada de negociações com os Estados Unidos, que estava previamente agendada para esta segunda-feira (20), em Islamabad, no Paquistão. A decisão ocorre a apenas três dias do encerramento do prazo do cessar-fogo entre as duas nações, iniciado em 7 de abril e com validade até a próxima quarta-feira (22).

De acordo com a agência estatal iraniana Irna, a recusa em manter o diálogo se deve a exigências consideradas "excessivas", "irracionais" e "pouco realistas" por parte de Washington. Teerã também acusou o governo norte-americano de emitir declarações contraditórias e de violar os termos da trégua. "Nessas condições, não se vislumbra um cenário claro para negociações bem-sucedidas", destacou a agência.

O principal negociador do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf, havia pontuado recentemente que, embora houvesse algum progresso, as nações ainda divergiam profundamente sobre o programa nuclear iraniano e a situação no Estreito de Ormuz.

Apesar da negativa iraniana, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou em suas redes sociais que uma delegação americana seria enviada ao Paquistão para as negociações. Na mesma publicação, Trump fez duros alertas ao país do Oriente Médio.

"Estamos oferecendo um acordo muito justo e razoável, e espero que eles o aceitem porque, se não o fizerem, os Estados Unidos vão destruir todas as usinas de energia e todas as pontes no Irã", escreveu o presidente norte-americano, acrescentando que não iria mais "fazer o bonzinho".

A postura contrasta com as declarações dadas por Trump na sexta-feira (17), quando afirmou em entrevista que não restavam pontos conflitantes e que um acordo estaria próximo de ser selado. Além das ameaças à infraestrutura, Trump acusou o Irã de violar o cessar-fogo ao disparar contra navios no Estreito de Ormuz.

Tráfego paralisado e tensão marítima

A tensão bélica e comercial voltou a escalar no Estreito de Ormuz, uma passagem vital que liga o Golfo Pérsico ao mar aberto e por onde transitava cerca de 20% das remessas globais de petróleo antes do conflito.

Após anunciar a reabertura total da via na sexta-feira (17), o Irã retrocedeu no dia seguinte, justificando o novo fechamento como resposta a um bloqueio naval imposto pelos EUA aos portos iranianos. O tráfego na região foi paralisado no sábado (18) em decorrência de novos incidentes:

  • Lanchas iranianas dispararam contra dois petroleiros indianos que transitavam pelo canal.

  • Uma segunda embarcação foi atingida por um projétil desconhecido, conforme relato da Organização de Tráfego Marítimo do Reino Unido.

  • Dois navios-tanque de gás liquefeito tentaram seguir em direção ao estreito neste domingo (19), mas foram obrigados a recuar pelas forças armadas iranianas, segundo a agência Tasnim.

A Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) reiterou que bloqueará o estreito de forma incisiva. Segundo a organização militar, qualquer aproximação da área será considerada cooperação com o inimigo e resultará em ataques às embarcações infratoras. A plataforma de monitoramento Marine Traffic confirmou que a maioria dos navios na área já recuou para o interior do Golfo Pérsico ou para zonas de segurança em direção ao Golfo de Omã.

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