Cetas de Vitória da Conquista devolve 148 aves à natureza após período de reabilitação

Animais foram soltos em uma fazenda de Itarantim; entre as espécies estavam coleirinhos, caboclinhos, sabiás, trinca-ferros e azulões

Foto: Secom PMVC
  • Ane Xavier
  • Atualizado: 29/09/2026, 04:26h

O Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) de Vitória da Conquista realizou, nesta semana, a soltura de 148 aves silvestres em uma fazenda localizada no município de Itarantim, no Médio Sudoeste da Bahia. Os animais passaram por avaliação e reabilitação antes de serem considerados aptos para retornar à natureza.

A área escolhida para a soltura conta com água, vegetação e condições consideradas adequadas para a sobrevivência das espécies. Entre as aves devolvidas ao ambiente natural estavam coleirinhos, caboclinhos, sabiás, pombas-verdadeiras, nambus, trinca-ferros e azulões. Um dos grupos reunia cerca de 70 aves encaminhadas pelo Ibama de Maceió (AL) e recebidas pelo Cetas de Vitória da Conquista em setembro. Depois do período de cuidados, os animais foram avaliados e considerados aptos para a reintrodução.

A devolução à natureza é uma das etapas finais do trabalho realizado pelos centros de triagem. De acordo com o Ibama, essas unidades recebem animais silvestres provenientes de apreensões, resgates ou entregas voluntárias, realizam procedimentos de identificação, triagem, avaliação, tratamento e recuperação e, quando possível, priorizam a soltura em ambiente natural. Administrado pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), o Cetas de Vitória da Conquista atua há quase três décadas no atendimento à fauna silvestre da região.

Os animais recebidos passam por uma avaliação que pode envolver acompanhamento veterinário, alimentação específica, hidratação e tratamentos com medicamentos, vitaminas e vermífugos, conforme a necessidade de cada indivíduo.

A soltura não ocorre simplesmente porque o animal foi retirado de uma situação de risco. Antes de retornar ao ambiente natural, é necessário verificar se ele apresenta condições de sobrevivência. A escolha do local também considera a ocorrência natural da espécie.

Segundo o coordenador do Cetas, Aderbal Azevedo, o trabalho busca contribuir para a recuperação de populações de animais afetadas pela captura e pela caça. “Desempenha um papel importante que vai na contramão do tráfico, acolhendo, reabilitando e devolvendo à natureza todos os espécimes em condições de devolução, repovoando áreas com populações ameaçadas pela caça ou mesmo dizimadas.”

Ainda de acordo com o coordenador, o retorno das aves ao ambiente natural também contribui para funções ecológicas como o controle biológico e a dispersão de sementes.

O Cetas informa que os nomes das propriedades utilizadas para as solturas não são divulgados. A medida busca evitar que os locais se tornem conhecidos e possam ser alvo de novas tentativas de captura dos animais.

Por que não se deve criar uma ave silvestre em casa?

O caso também chama atenção para uma prática ainda comum: a manutenção de aves silvestres nativas em cativeiro sem autorização.

Espécies como trinca-ferro, azulão, coleirinho e outras aves brasileiras não são animais domésticos simplesmente porque podem ser encontrados à venda ou porque são tradicionalmente criados em residências. A criação de passeriformes da fauna silvestre brasileira depende de autorização e cadastro nos sistemas ambientais específicos. O Ibama mantém o SisPass como sistema de controle e monitoramento da criação amadora de passeriformes, enquanto a autorização para novos criadores é atualmente atribuição dos órgãos ambientais estaduais.

A captura de aves na natureza também pode contribuir para o tráfico de animais silvestres. Além do impacto sobre as populações naturais, animais retirados do ambiente podem chegar aos centros de triagem debilitados, feridos ou sem condições de retornar imediatamente à natureza.

Por isso, não é recomendado capturar uma ave encontrada solta, mantê-la em casa e depois tentar devolvê-la por conta própria. A orientação dos órgãos ambientais é procurar um Cetas ou serviço ambiental responsável para que o animal seja avaliado e tenha a destinação adequada.

Quem mantém irregularmente um animal silvestre também pode procurar os órgãos ambientais para fazer a entrega voluntária, em vez de simplesmente soltar o animal em qualquer local. O serviço oficial do governo federal prevê a entrega voluntária de animais silvestres mantidos irregularmente. Após o recebimento, o animal passa por triagem e avaliação clínica e comportamental e, quando houver condições, a prioridade é a reintrodução no ambiente natural.

Em Vitória da Conquista, a Prefeitura informa que o Cetas pode ser procurado pelo telefone (77) 3423-2247 para casos de animais que precisam de resgate ou para orientações sobre entrega voluntária. Em publicação anterior, o município também informou que a entrega voluntária permite a regularização da situação do animal sem aplicação das sanções previstas para a manutenção irregular. A população também pode procurar os canais dos órgãos ambientais antes de transportar ou soltar um animal por conta própria, para receber orientação sobre a forma correta de encaminhamento.

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