Conselho do Vasco aprova mudança no estatuto para viabilizar venda da SAF a Lamacchia
Alteração reduz de 20% para 10% a participação mínima do clube associativo na SAF; operação ainda depende de novas etapas para ser concluída.
O Conselho Deliberativo do Vasco aprovou nesta terça-feira (6) a mudança no Estatuto Social necessária para viabilizar a venda do controle da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) ao grupo liderado pelo empresário Marcos Lamacchia.
A proposta foi aprovada por 172 votos a favor, 34 contra e cinco abstenções. Ao todo, 211 dos 295 conselheiros aptos participaram da votação.
A alteração estatutária reduz de 20% para 10% a participação mínima que o Club de Regatas Vasco da Gama precisa manter na SAF. O novo percentual está alinhado à estrutura prevista na operação com a Almirante Participações, que deverá ficar com 90% do capital social e votante da nova SAF.
A aprovação, porém, não encerra o processo de transferência do controle do futebol vascaíno. A operação ainda precisa cumprir as demais etapas previstas para sua conclusão, incluindo a deliberação dos associados em Assembleia Geral.
Antes da votação, o presidente do Conselho de Beneméritos, Luis Manuel Fernandes, apresentou aos conselheiros pontos de atenção identificados em parecer sobre o contrato. Entre as preocupações estão a ausência de mecanismos considerados claros para que o Vasco possa deixar ou rever sua participação no negócio em determinadas situações, além da possibilidade de influência do investidor na escolha do representante do clube no Conselho de Administração da SAF.
O parecer também questionou o caráter definitivo da transferência das ações e apontou a necessidade de salvaguardas para situações como eventual descumprimento de obrigações consideradas essenciais, mudanças relevantes nas condições econômicas da operação ou perda de capacidade financeira do investidor.
A negociação prevê que a Almirante Participações assuma 90% da SAF. Pelo acordo apresentado aos conselheiros, estão previstos investimentos de pelo menos R$ 500 milhões no futebol até 2030, além de recursos destinados à estrutura do clube e às categorias de base. O contrato também prevê investimentos de R$ 120 milhões no centro de treinamento profissional ao longo de dez anos e R$ 30 milhões em melhorias na estrutura da base em dois anos.
Outro ponto previsto no acordo é a utilização de São Januário pela SAF até 31 de dezembro de 2030. Pelo contrato, o pagamento ao clube associativo será de R$ 3 milhões por ano, com possibilidade de redução para R$ 2 milhões durante a realização de obras no estádio.
A venda da SAF ganhou força após a Almirante Participações vencer o leilão judicial realizado em setembro. Como o Vasco está em recuperação judicial, a abertura das ações para disputa em leilão foi necessária. A empresa de Lamacchia havia sido cadastrada como primeira ofertante e garantiu a preferência para igualar eventual proposta concorrente.
A operação também é acompanhada pela Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf), que analisa possíveis questões relacionadas a conflito de interesses. Marcos Lamacchia é enteado de Leila Pereira, presidente do Palmeiras.
Com a aprovação da mudança estatutária, o processo de transferência do controle da SAF dá mais um passo. A definição sobre a operação, contudo, ainda depende das próximas instâncias previstas no rito do clube.







