Aeroportos de Salvador e Belém ganham salas multissensoriais para passageiros neurodivergentes

  • Júnior Patente
  • Atualizado: 12/10/2026, 02:12h

Brasil passa a contar com 23 espaços de acolhimento em 20 aeroportos, com ambientes adaptados para reduzir o desconforto sensorial durante as viagens

Os aeroportos de Salvador (BA) e Belém (PA) passaram a contar com novas salas multissensoriais destinadas ao acolhimento de passageiros neurodivergentes. As inaugurações ampliam para 23 o número de espaços desse tipo no país, distribuídos em 20 terminais aeroportuários, segundo informações divulgadas pelo Ministério de Portos e Aeroportos em 8 de outubro.

A iniciativa busca tornar as viagens aéreas mais acessíveis para pessoas com transtorno do espectro autista (TEA) e outras condições que podem envolver diferenças no processamento sensorial. Ambientes com excesso de ruídos, iluminação intensa, grande circulação de pessoas e muitos estímulos simultâneos podem provocar desconforto, ansiedade ou sobrecarga sensorial em alguns passageiros.

As salas oferecem ambientes mais tranquilos, com recursos adaptados para favorecer o conforto e ajudar na regulação sensorial antes do embarque ou durante conexões. A proposta também beneficia familiares e acompanhantes, que passam a contar com melhores condições de acolhimento durante a jornada.

Em Belém, o espaço está localizado na área de embarque, em frente ao portão 3, e funciona 24 horas por dia. A estrutura inclui balanço adaptado, tubos luminosos, pufes, piscina de bolinhas, espumas e poltronas. O ambiente também dispõe de um painel integrado com informações sobre os voos, permitindo que os passageiros acompanhem os horários sem depender exclusivamente dos avisos sonoros do terminal.

Em Salvador, a sala integra o Programa Lumi, que reúne ações de acessibilidade e acolhimento para viajantes com diferentes necessidades. O espaço fica na área restrita do aeroporto, próximo aos portões 18 a 26, e funciona das 8h às 22h. Entre os recursos disponíveis estão objetos sensoriais e elementos destinados a proporcionar conforto e facilitar a percepção do ambiente.

O programa também prevê capacitação dos profissionais, melhorias na sinalização e outras medidas para tornar o atendimento mais acessível.

Onde estão os espaços de acolhimento

De acordo com o Ministério de Portos e Aeroportos, as salas multissensoriais estão distribuídas pelos aeroportos de Aracaju, Brasília, Belém, Campo Grande, Congonhas, Florianópolis, Fortaleza, Goiânia, João Pessoa, Maceió, Natal, Porto Alegre, Recife, Salvador, São Luís, Teresina, Vitória, Viracopos, Santos Dumont e Galeão.

Além das salas, há outros três espaços de acomodação nos terminais do Galeão (RJ), de Marabá (PA) e de Ponta Porã (MS).

A expansão faz parte de uma iniciativa articulada pelo governo federal, pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e pelos operadores aeroportuários. A adesão ao programa começou a ganhar escala nacional em 2024, com o objetivo de ampliar a acessibilidade e qualificar o atendimento aos passageiros neurodivergentes.

Acessibilidade também significa acolhimento

A criação desses ambientes representa uma medida prática para reduzir barreiras enfrentadas por pessoas neurodivergentes no transporte aéreo. Mais do que disponibilizar estruturas físicas, a inclusão depende de profissionais preparados para compreender diferentes necessidades e oferecer atendimento respeitoso.

Para famílias de pessoas autistas, por exemplo, a organização da viagem pode exigir planejamento adicional diante de mudanças de rotina, longos períodos de espera e estímulos intensos. A existência de espaços adaptados pode contribuir para tornar essa experiência menos desgastante.

A ampliação das salas multissensoriais reforça a importância de considerar a diversidade humana no planejamento dos serviços públicos e privados. Uma viagem acessível não depende apenas de rampas e elevadores: também exige atenção às necessidades sensoriais, comunicação adequada e respeito às particularidades de cada passageiro.

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