Desmatamento atinge menor nível histórico na Amazônia e no Cerrado, aponta Inpe

  • Júnior Patente
  • Atualizado: 19/10/2026, 08:25h

O desmatamento na Amazônia Legal e no Cerrado registrou as menores taxas das respectivas séries históricas, segundo dados divulgados pelo governo federal em 16 de outubro, com base no monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Os números consideram o período de agosto de 2025 a julho de 2026.

Na Amazônia Legal, a área desmatada foi de 3.335 quilômetros quadrados (km²), uma redução de 41,8% em comparação com os 5.731 km² registrados no ciclo anterior. É o menor índice desde o início do monitoramento, em 1988.

No Cerrado, foram desmatados 5.516,69 km², queda de 23,8% em relação aos 7.235,27 km² registrados anteriormente. O resultado representa o menor índice da série histórica do bioma, iniciada em 2001.

Pará e Mato Grosso lideram desmatamento na Amazônia

Apesar da redução nacional, alguns estados continuam concentrando grandes áreas desmatadas. Na Amazônia Legal, o Pará registrou 1.130 km² de perda de vegetação nativa, seguido por Mato Grosso, com 849 km², e Amazonas, com 525 km².

Em comparação com o período anterior, as quedas foram de 45,3% no Pará, 46,7% em Mato Grosso e 46,4% no Amazonas. Roraima foi uma exceção entre os estados amazônicos, com aumento de 0,4%, passando de 285 km² para 286 km².

Bahia está entre os estados com maior área desmatada no Cerrado

No Cerrado, Maranhão, Tocantins e Piauí concentraram as maiores áreas de supressão da vegetação nativa. A Bahia registrou 489,75 km² desmatados, redução de 38% em relação aos 789,91 km² do ciclo anterior.

Os quatro estados que integram a região conhecida como Matopiba — Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia — responderam por 74,3% do desmatamento registrado no bioma.

Os dados mostram que, embora a redução tenha ocorrido nos dois biomas, o Cerrado continua sob pressão significativa, especialmente em áreas de expansão da fronteira agropecuária.

Fiscalização e políticas ambientais

O governo federal atribui os resultados à combinação de monitoramento por satélite, fiscalização ambiental, ordenamento territorial e incentivo a atividades produtivas sustentáveis. Entre as iniciativas estão os planos de prevenção e controle do desmatamento na Amazônia Legal e no Cerrado, retomados em 2023.

De acordo com os dados divulgados, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) realizou 76.095 ações de fiscalização em todo o país entre 2023 e 2026. No período, foram emitidos 25.101 autos de infração relacionados à flora, com multas que somam R$ 11,8 bilhões.

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), por sua vez, registrou 11,9 mil autos de infração em unidades de conservação federais, com R$ 2,4 bilhões em multas.

Entre as medidas de proteção territorial adotadas desde janeiro de 2023, o governo informa a criação de 18 unidades de conservação federais, a ampliação de outras oito e a homologação de 20 terras indígenas.

Novo sistema prevê monitoramento mais abrangente

Outra iniciativa anunciada é o Sistema Integrado para Monitoramento da Vegetação Natural dos Biomas Brasileiros (SIM-Biomas), que receberá R$ 147,6 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por meio do Fundo Amazônia.

O projeto prevê o uso de inteligência artificial para integrar sistemas de monitoramento do Inpe, ampliar a produção de dados ao longo do ano e estender os alertas de desmatamento para biomas como Caatinga, Mata Atlântica e Pampa. Também está prevista a melhoria da resolução espacial do mapeamento de áreas queimadas.

O governo ressalta que desmatamento e incêndios florestais são fenômenos distintos. A redução anual da supressão da vegetação nativa não significa, necessariamente, diminuição proporcional das queimadas ou da degradação ambiental.

Os números divulgados se referem ao levantamento do Prodes, que mede anualmente a supressão de vegetação nativa. O sistema Deter, por sua vez, emite alertas para orientar ações de fiscalização e não deve ser usado como substituto do levantamento anual oficial.

Com informações do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.

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