Terceira edição dos atos "No Kings" reúne oito milhões de manifestantes contra o governo Trump nos Estados Unidos
Mobilizações ocorreram em mais de três mil localidades pelo país e no exterior em repúdio a políticas de imigração e à guerra no Irã
Neste sábado (28), cidades de todos os 50 estados dos Estados Unidos registraram a terceira edição da onda de protestos denominada "No Kings" (em tradução literal, "Sem Reis"). De acordo com os organizadores do movimento, as manifestações reuniram cerca de oito milhões de pessoas distribuídas em mais de 3.300 atos oficiais. O número representa um aumento de um milhão de participantes em comparação com a edição anterior, realizada em outubro. As autoridades americanas não divulgaram uma contagem oficial do público.
As mobilizações ocorreram em grandes metrópoles, como Nova York, Washington DC, Los Angeles, Chicago e Filadélfia, além de cidades menores, a exemplo de Howell, no Michigan. Na capital americana, multidões marcharam a partir da vizinha Arlington, na Virgínia, ocupando as escadarias do Memorial Lincoln e o National Mall. Atos também foram registrados no exterior, com concentrações de cidadãos americanos em capitais como Paris, Londres e Lisboa.
Pautas e motivações do movimento
Os manifestantes expressaram insatisfação com diversas medidas implementadas pelo presidente Donald Trump desde o seu retorno à Casa Branca. As principais pautas e críticas do movimento incluem:
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Repúdio à guerra no Irã e à escalada militar americana no Oriente Médio.
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Rejeição à aplicação federal das leis de imigração pelo Serviço de Imigração e Alfândega (ICE).
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Descontentamento com o aumento do custo de vida no país.
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Acusações de autoritarismo e de uso inconstitucional do poder presidencial.
A tensão em relação às políticas de segurança e imigração foi intensificada no início deste ano após agentes federais atirarem e matarem dois cidadãos americanos, Alex Pretti e Renee Good, na cidade de Minneapolis. O episódio gerou forte mobilização no estado de Minnesota, com protestos expressivos registrados neste sábado na cidade vizinha de Saint Paul. Durante os atos em todo o país, manifestantes exibiram cartazes contra a guerra e efígies pedindo a destituição de integrantes do governo. Vários estados mobilizaram a Guarda Nacional de forma preventiva, mas as organizações civis afirmaram que os eventos mantiveram caráter pacífico.
Resposta do governo e contexto político
A administração federal minimizou o impacto das mobilizações. Um porta-voz da Casa Branca classificou os protestos como sessões de terapia para a "Síndrome de Desarranjo por Trump" e afirmou que o interesse pelos eventos se restringe aos repórteres encarregados da cobertura.
O presidente Donald Trump tem argumentado de forma reiterada que suas ações, incluindo o uso de ordens executivas, são medidas necessárias para reconstruir o país em meio a uma crise. Em entrevista concedida em outubro à emissora Fox News, ele rejeitou as acusações de comportamento ditatorial formuladas por críticos, classificando as alegações como histéricas e declarando que não atua como um rei.
Os protestos deste fim de semana ocorrem em um cenário de desgaste político e militar. Pesquisas recentes indicam que a aprovação do atual governo atingiu a marca de 36%, o menor nível desde o início da atual gestão. O índice de popularidade acompanha o agravamento do conflito no Golfo Pérsico, contexto no qual o governo americano declarou manter mais de três mil alvos mapeados no território iraniano.






