Especialistas alertam sobre cuidados e resgate adequado em casos de enxames de abelhas na zona urbana

Orientações ocorrem após resgate de colônia em árvore morta de praça no Bem Querer. Ataques exigem distanciamento imediato e busca rápida por hospitais

  • Da Mega
  • Atualizado: 01/04/2026, 03:25h

O crescimento urbano e a consequente alteração dos ecossistemas têm tornado cada vez mais comum a presença de animais peçonhentos nas cidades. Entre as ocorrências mais frequentes em todo o Brasil estão os incidentes envolvendo abelhas, cujos ataques podem trazer consequências graves e até fatais, especialmente para pessoas alérgicas.

A adaptação a essa convivência exige que a população saiba como agir tanto em casos de ataques quanto na identificação e remoção segura de colmeias em áreas residenciais e públicas. O alerta e o reforço nas orientações de segurança ocorrem após a recente identificação de uma colônia de abelhas com ferrão (Apis mellifera) que se alojou em uma árvore morta localizada em uma praça na entrada do bairro Bem Querer.

Para garantir a segurança dos moradores, o local foi isolado preventivamente. A operação de resgate dos insetos foi executada com o acompanhamento de agentes do Sistema Municipal de Trânsito (Simtrans) e do Grupo de Apoio ao Meio Ambiente (Gama).

O que fazer em caso de ataque

A primeira e principal orientação em caso de ataque de abelhas é o distanciamento imediato do local. A enfermeira e coordenadora do Samu 192, Graciele Tavares, alerta para um erro comum cometido pelas vítimas durante a fuga.

"Geralmente as pessoas correm por instinto, algumas pulam em rio ou piscina, mas isso deve ser evitado por conta do risco de afogamento". A orientação correta é correr em linha contínua para longe da colmeia, pois, ao atingir uma determinada distância, os insetos tendem a abandonar a perseguição e retornar para a proteção do ninho.

Em relação aos primeiros socorros, a remoção dos ferrões deve ser feita com cuidado. A coordenadora explica que a pessoa não deve puxar o ferrão com os dedos, mas sim raspá-lo da pele, preferencialmente utilizando um objeto rígido, como um cartão.

Quando acionar o Samu ou buscar o hospital

A gravidade da situação dita o protocolo médico que deve ser seguido. Picadas simples e em pouca quantidade não justificam o acionamento do Samu 192. Nestes casos, ou quando a vítima sofre múltiplas picadas, o deslocamento deve ser feito por meios próprios para a unidade de saúde mais próxima.

O serviço de urgência do Samu 192, que possui ambulâncias equipadas com adrenalina, deve ser acionado exclusivamente em casos extremos, quando a vítima apresentar os seguintes sinais de alarme:

  • Dificuldade para respirar ou chiado no peito.

  • Edema (inchaço) na face ou na glote.

  • Desmaios ou parada cardiorrespiratória.

Para pacientes com histórico de alergia, a recomendação é não aguardar a ambulância se houver um veículo particular disponível. "O tempo de deslocamento pode agravar o quadro da vítima", alerta Graciele. Durante o trajeto próprio para o hospital, o solicitante deve manter contato telefônico com a central do Samu para receber orientações de um médico regulador.

Em Vitória da Conquista, as referências para atendimento toxicológico são a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e o Hospital Geral de Vitória da Conquista (HGVC).

Resgate seguro de colmeias e canais de acionamento

Por serem classificadas como animais silvestres, as abelhas exigem protocolos específicos para a sua remoção. A bióloga e especialista em abelhas, Generosa Ribeiro, adverte que a população nunca deve tentar remover um ninho por conta própria, tampouco utilizar água, fogo, fumaça ou arremessar objetos no local.

Os ataques geralmente ocorrem quando a colônia se sente ameaçada por vibrações, ruídos intensos (como roçadeiras e motosserras), aproximação excessiva ou até mesmo odores fortes de perfumes. A especialista explica que a presença urbana desses insetos é um reflexo da falta de corredores ecológicos e da supressão das bordas de matas nativas, locais naturais para a instalação de enxames.

Para o manejo seguro e a preservação da espécie — que é vital para a polinização e a produção mundial de alimentos —, Vitória da Conquista conta com o Grupo de Apoio ao Meio Ambiente (Gama), vinculado à Guarda Municipal.

Apenas entre janeiro de 2025 e março de 2026, o grupamento realizou 174 resgates de abelhas no município, incluindo a recente operação na praça do Bem Querer. O secretário de Segurança Pública e Defesa Social, Cristóvão Lemos, explica que os agentes possuem treinamento específico e equipamentos de proteção, como roupas adequadas e fumegadores, para atuar em prédios e logradouros públicos. As operações em grandes enxames costumam ocorrer após as 18 horas, período em que os insetos estão menos agitados.

A população pode solicitar a remoção segura de colmeias através dos seguintes contatos:

  • Gama (Guarda Municipal): Pelo telefone (77) 8825-5796 para ocorrências em logradouros gerais.

  • Corpo de Bombeiros: Pelo telefone 193 para situações que envolvam locais de difícil acesso ou risco iminente.

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