“O corpo dá sinais”: médica alerta, em entrevista à Mega Rádio VCA, que mamografia pode indicar risco cardiovascular

Estudo europeu associa calcificações nas artérias da mama a infartos e especialista destaca a importância de exames de imagem preventivos

  • Ane Xavier
  • Atualizado: 04/04/2026, 01:57h

A mamografia, exame amplamente conhecido pelo rastreamento e diagnóstico precoce do câncer de mama, também pode atuar como um importante indicativo para a saúde do coração. O alerta foi feito pela médica radiologista e especialista em mamas da Fundação Instituto de Pesquisa e Estudo de Diagnóstico por Imagem (FIDI), Vivian Milani, em entrevista concedida à Mega Rádio VCA.

Um estudo recente divulgado pela European Society of Cardiology, que analisou mais de 123 mil mulheres sem histórico de doenças cardíacas, revelou que depósitos de cálcio nas artérias da mama estão associados a um maior risco de infartos, insuficiência cardíaca e acidentes vasculares cerebrais (AVC).

Durante a entrevista, a especialista explicou que as calcificações vasculares eram vistas por muito tempo apenas como achados benignos, mas que a percepção médica mudou. Segundo a radiologista, a identificação dessas calcificações em mulheres mais jovens chama a atenção dos profissionais, que passam a descrever o achado no laudo para orientar a investigação.

"Não é que a mamografia vai dizer que aquela mulher tem doença cardiovascular, mas sim, ela pode ser um alerta", pontuou Vivian Milani. A médica destacou que o objetivo é fazer com que o especialista responsável pela paciente recomende uma avaliação cardiológica complementar. "O ginecologista não deixa de ser o clínico geral da mulher, assim como o urologista é o do homem. Ele acaba pedindo exames de sangue gerais, de colesterol, e isso poderia trazer um alerta sobre a doença cardiovascular".

A detecção precoce ganha ainda mais relevância para a faixa adulta devido a uma lei federal, sancionada em dezembro de 2025, que garante o direito à mamografia a partir dos 40 anos. Dados da FIDI apontam que o público feminino representou 60,3% dos 4,8 milhões de exames de imagem realizados no último ano, demonstrando uma presença expressiva de pacientes em idade produtiva nos consultórios preventivos.

Além do fator genético, elementos comportamentais e ambientais influenciam diretamente no aparecimento de calcificações nas artérias e no desenvolvimento do próprio câncer de mama. O sedentarismo, a obesidade, o tabagismo, o consumo de álcool e uma alimentação desequilibrada são apontados como os principais agravantes.

A médica ressaltou na entrevista que pequenas mudanças na rotina diária têm um impacto significativo na prevenção. "Dez minutinhos de caminhada, melhorar a hidratação, ter uma alimentação mais equilibrada, são pequenos atos que mudam realmente a questão da sua qualidade de vida", afirmou.

Infartos e outras doenças do coração costumam ser subdiagnosticados no público feminino devido a sintomas mais sutis, que muitas vezes são ignorados pela rotina intensa. A radiologista fez um apelo para que as ouvintes valorizem pequenos desconfortos, como dores leves no peito ou no estômago.

"A mulher, pela rotina desgastante, sobrecarregada de muitos afazeres e muitas responsabilidades, acaba não valorizando. A questão toda que eu estou percebendo é que muitas mulheres me dizem que não têm tempo para cuidar da saúde", alertou a especialista.

Para contornar o problema do esquecimento, Vivian Milani sugere a criação de um calendário pessoal inegociável. "Pare um tempo da rotina para prestar atenção. Escolha uma data, escolha o mês do seu aniversário para fazer seus exames de rotina. Não deixe passar esse ano". A médica exemplificou a situação relatando a justificativa comum das pacientes. "Muitas pacientes me falaram que a pandemia atrapalhou, mas eu fui ver e ela tinha feito exame em 2018. Não tinha pandemia".

Ao finalizar a entrevista à emissora, a radiologista deixou uma reflexão sobre a longevidade feminina e a importância da prevenção contínua. "Os estudos dizem que nós mulheres vamos viver muito tempo, então qual a qualidade desse tempo que nós vamos viver. Seremos idosas saudáveis", questionou a médica, reforçando que a avaliação médica básica é o único caminho seguro.

Ouça a entrevista completa abaixo. Disponível também no Spotify.

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