Futebol, respeito e responsabilidade: fala de Neymar reacende debate sobre machismo no esporte
O futebol brasileiro voltou a discutir seus próprios limites fora das quatro linhas após declaração do atacante Neymar, do Santos Futebol Clube, ao criticar a arbitragem depois da vitória sobre o Remo. Ao comentar o cartão amarelo recebido, o jogador afirmou que o árbitro “acordou de chico”, expressão que rapidamente gerou forte repercussão e críticas por seu caráter misógino.
A fala, feita em entrevista pós-jogo, não passou despercebida. Embora parte do público tenha relativizado o termo como uma gíria para mau humor, especialistas e comentaristas apontam que a expressão carrega uma origem ligada à menstruação — historicamente associada, de forma preconceituosa, a algo negativo ou “impuro”.
Mais do que uma simples reclamação de arbitragem, o episódio expõe um problema estrutural: o machismo ainda naturalizado no futebol. Termos como esse, mesmo quando usados sem intenção explícita de ofender, reforçam estigmas antigos e perpetuam uma cultura que desvaloriza o feminino.
No programa Redação SporTV, a crítica foi direta. A comentarista Belle Suarez classificou a declaração como “completamente desnecessária”, evidenciando que, em um ambiente cada vez mais atento às questões sociais, não há mais espaço para expressões que carreguem preconceito, ainda que velado.
Dentro de campo, Neymar foi decisivo na vitória santista, participando dos gols e ajudando a equipe a somar pontos importantes. Fora dele, porém, o protagonismo ganhou outro tom — e trouxe à tona a responsabilidade que grandes ídolos têm na construção de discurso e comportamento.
O futebol, historicamente marcado por uma cultura predominantemente masculina, passa por transformação. A presença crescente de mulheres — seja na arbitragem, no jornalismo esportivo, na gestão ou nas arquibancadas — exige também uma mudança de linguagem e postura.
Casos como esse servem de alerta: palavras importam. E, no esporte mais popular do país, o impacto é ainda maior. Quando uma figura pública utiliza termos com conotação machista, o efeito ultrapassa o campo e reforça padrões que a sociedade tenta superar.
Mais do que punições ou julgamentos pontuais, o episódio escancara a necessidade de educação e conscientização no futebol. Combater o machismo não é apenas uma pauta social — é também uma evolução necessária para o próprio esporte.






