Missão Artemis 2 atinge ponto mais próximo da Lua e marca retorno de voos tripulados após cinco décadas
Cápsula Orion com quatro astronautas sobrevoa o lado oculto do satélite natural nesta segunda-feira; retorno à Terra está previsto para o dia 10 de abril
A missão espacial Artemis 2, lançada pela agência espacial americana (Nasa) na última quarta-feira (1º) a partir da Flórida, chega ao seu ponto mais próximo da Lua nesta segunda-feira (6). A expedição de 10 dias marca o retorno de uma tripulação humana à órbita lunar após um hiato de mais de 50 anos, desde o encerramento do programa Apollo em 1972.
A bordo da cápsula Orion estão quatro astronautas: o comandante Reid Wiseman, o piloto Victor Glover e a especialista Christina Koch, todos da Nasa, além do especialista Jeremy Hansen, que se tornou o primeiro representante da Agência Espacial Canadense a participar de uma missão lunar.
O objetivo da Artemis 2 não inclui o pouso na superfície lunar. A missão consiste em um sobrevoo ao redor do satélite, incluindo a passagem pelo lado oculto da Lua. Durante essa etapa, a espaçonave ficará a uma distância de 6.400 km a 9.600 km da superfície lunar, colocando a tripulação na maior distância em que seres humanos já estiveram da Terra.
Durante as atualizações do final de semana, a tripulação relatou as mudanças de perspectiva geradas pela aproximação, destacando que a Lua tem dominado o campo de visão enquanto a Terra se torna cada vez menor. Os astronautas já conseguiram registrar imagens detalhadas de formações geológicas, como a Bacia Oriental. O objetivo dessas observações visuais e fotográficas é mapear crateras e antigos fluxos de lava para orientar os futuros pousos do programa.
Além da validação dos sistemas críticos de suporte de vida, comunicação e navegação da nave Orion, a expedição possui um forte componente científico voltado para a saúde humana no espaço profundo. A Nasa está conduzindo cinco estudos fisiológicos principais com a tripulação:
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Monitoramento de sinais: Uso de dispositivos biométricos para medir padrões de sono, bem-estar e atividade física.
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Órgãos em chips (AVATAR): Análise de tecidos vivos expostos à microgravidade e radiação para personalizar tratamentos médicos.
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Biomarcadores Imunológicos: Coleta de sangue e saliva para avaliar os impactos da viagem no sistema imunológico e nos hormônios de estresse.
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Sensores de radiação: Medição contínua da quantidade de radiação espacial recebida pelos trajes dos astronautas.
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Medidas padrão: Coleta de dados gerais sobre os efeitos do confinamento e da ausência de gravidade no comportamento humano.
A missão também carrega CubeSats (minissatélites) desenvolvidos em parceria com agências espaciais da Alemanha, Arábia Saudita, Argentina e Coreia do Sul, voltados para a medição do clima espacial e dos efeitos da radiação em tecidos e tecnologias.
A Artemis 2 funciona como uma missão de teste para atestar a segurança dos equipamentos que serão utilizados nas próximas fases do programa. A expectativa da Nasa é realizar o pouso de astronautas na superfície lunar a partir da missão Artemis 3, prevista para os próximos anos, utilizando módulos de descida comerciais.
O desenvolvimento da infraestrutura lunar, com o planejamento de construção de uma base no satélite nas missões futuras, servirá como campo de testes para o objetivo final da agência americana: a exploração tripulada de Marte, com as primeiras expedições ao planeta vermelho projetadas para o início da década de 2030.
O encerramento da atual missão está programado para o dia 10 de abril. A cápsula Orion utilizará a gravidade lunar para ser impulsionada de volta, devendo reentrar na atmosfera terrestre em alta velocidade para um pouso no Oceano Pacífico, onde as equipes de resgate estarão posicionadas.






