Radialista Júnior Patente utiliza Tribuna Livre para defender inclusão

  • Da Mega
  • Atualizado: 17/04/2026, 03:39h

Um pronunciamento marcado por relato pessoal e cobrança direta ao poder público colocou o tema da inclusão no centro do debate legislativo em Vitória da Conquista. Ao ocupar a tribuna, o radialista Júnior Patente, representante do Portal Incluir utilizou a própria experiência como pai de uma criança com síndrome de Down para expor desafios enfrentados por pessoas com deficiência e suas famílias no município.

Segundo o relato, a mudança de perspectiva teve início em 2013, com o nascimento da filha, Alice, diagnosticada com Trissomia do Cromossomo 21. A partir dessa vivência, surgiu o blog ViverDown, que posteriormente evoluiu para o Portal Incluir — iniciativa que hoje reúne famílias e profissionais em torno da defesa de direitos e da promoção da inclusão em diferentes esferas sociais.

Durante o discurso, foi destacado que a exclusão ainda é uma realidade cotidiana para pessoas com deficiência, seja no acesso à mobilidade urbana, à educação, ao mercado de trabalho ou à participação plena na sociedade. O posicionamento enfatiza que a invisibilidade social atinge um número significativo de famílias e demanda resposta efetiva do poder público.

Um dos principais pontos de denúncia foi a permanência de sinalizações consideradas inadequadas nas ruas da cidade. Placas com a expressão “vaga exclusiva para deficiente físico” foram classificadas como ultrapassadas e excludentes. De acordo com o argumento apresentado, além de utilizar terminologia superada pela legislação — que estabelece o uso do termo “Pessoa com Deficiência (PcD)” —, esse tipo de sinalização restringe indevidamente o direito de pessoas com deficiências não físicas, como autistas e pessoas com deficiência visual ou intelectual.

O problema, segundo o relato, vai além da linguagem: impacta diretamente o cotidiano, gerando constrangimento e desinformação. A crítica aponta falha do poder público em atualizar práticas básicas de inclusão, mesmo diante de avanços legais consolidados há mais de uma década.

A fala também ampliou o debate para o ambiente digital, destacando a necessidade de enfrentamento ao cyberbullying contra pessoas com deficiência. Foi citado como referência o caso que motivou a criação da chamada Lei Maju de Araújo, no estado do Rio de Janeiro, voltada ao combate a ataques virtuais com viés discriminatório. O exemplo foi utilizado para reforçar a urgência de mecanismos locais de proteção e acolhimento às vítimas.

Além das críticas, o discurso apresentou iniciativas em andamento. Entre elas, o programa “Inclusão em Foco”, vinculado ao Portal Incluir, que promove discussões sobre o tema por meio de entrevistas, reportagens e participação de especialistas. A proposta, segundo o representante, é ampliar o debate público e fortalecer a conscientização social.

Ao final, foi feito um apelo direto aos vereadores para que assumam protagonismo na atualização de políticas públicas e na correção de práticas consideradas excludentes. A proposta inclui desde a revisão de sinalizações urbanas até a criação de legislações mais eficazes no combate ao preconceito.

A manifestação reforça um cenário em que a inclusão deixa de ser apenas discurso institucional e passa a ser cobrada como prática concreta, com impacto direto na vida cotidiana da população.

Comentários


Instagram

Facebook