Transição para o Ensino Fundamental exige acolhimento, autonomia e parceria entre família e escola
A passagem da Educação Infantil para o Ensino Fundamental representa um dos momentos mais marcantes da vida escolar de uma criança. Novas responsabilidades, uma rotina mais estruturada e desafios inéditos fazem parte dessa etapa, que desativam a atenção tanto da escola quanto das famílias.
O tema foi abordado pela pedagoga, especialista em Educação Infantil e Alfabetização, mestre em Ensino e coordenadora pedagógica do Ensino Fundamental I da Nova Escola de Vitória da Conquista, Tânia do Nascimento, durante entrevista ao programa Mega Conversa, da Mega Rádio.
Segundo a educadora, o ingresso no Ensino Fundamental é um processo natural, mas que envolve mudanças significativas para as crianças.
"É um período desafiador porque a criança sai de uma rotina mais livre e passa a conviver com uma organização mais estruturada. O tempo em sala de aula é maior, as demandas aumentam e os componentes curriculares passam a ser trabalhos de forma mais sistematizada", explica.
Apesar das maiores exigências, Tânia destaca que a maioria das crianças vive essa fase com entusiasmo e expectativa. O desejo de ingressar em uma nova etapa da vida escolar costuma ser grande, embora os desafios sejam aplicados logo nos primeiros meses.
Família tem papel fundamental na adaptação
Para um coordenador pedagógico, a parceria entre escola e família é fundamental para que haja uma transição de forma tranquila.
Ela ressalta que é importante que os pais acolham os sentimentos dos filhos, escutem suas dificuldades e evitem cobranças excessivas.
"Qualquer mudança gera ansiedade e insegurança. A criança precisa se sentir acolhida, informada e incentivada. O papel da família é validar esses sentimentos e mostrar que as dificuldades fazem parte do processo de aprendizagem", afirma.
Segundo Tânia, um dos principais objetivos dessa fase é o desenvolvimento da autonomia. No entanto, ela alerta que essa habilidade não surge de forma imediata.
"A autonomia é construída aos poucos. Ela aparece nas pequenas responsabilidades do dia a dia, como organizar o material escolar, cuidar do uniforme e assumir compromissos compatíveis com a idade da criança", explica.
Habilidades socioemocionais ganham protagonismo
Além dos conteúdos acadêmicos, o Ensino Fundamental também se torna um espaço importante para o desenvolvimento emocional.
Aprender a reconhecer sentimentos, lidar com frustrações, esperar uma vez e conviver em grupo são competências que passam a fazer parte da rotina escolar.
"Desenvolver habilidades socioemocionais é tão importante quanto aprender matemática ou português. São competências que uma criança vai levar para a vida toda", destaca.
A educadora observa que, quando as crianças aprendem a identificar e nomear suas emoções, conseguem compreender melhor seus sentimentos e expressá-los de maneiras mais saudáveis.
Respeito ao tempo de cada criança
Outro ponto enfatizado por Tânia é a necessidade de respeitar o ritmo individual de aprendizagem.
Ela explica que cada criança possui características próprias e pode apresentar ritmos diferentes para se adaptar às novas critérios do Ensino Fundamental.
No entanto, sublinha a importância de um acompanhamento constante por parte da família e da escola.
"É preciso observar os avanços da criança e manter um diálogo permanente entre pais e educadores. Quando necessário, outros profissionais também podem ser acionados para auxiliar nesse processo", afirma.
Convivência, treinamento, aprendizado e desenvolvimento
A convivência com colegas e professores também desempenha papel importante na formação das crianças.
Segundo a coordenadora, é no ambiente escolar que os estudantes aprendem a compartilhar experiências, defender opiniões, lidar com divergências e construir relações sociais.
"A escola é um espaço fundamental de convivência. É ali que uma criança aprende a se posicionar, a respeitar o outro e a enfrentar situações que são importantes para sua formação como sujeito", ressalta.
Tecnologia exige equilíbrio
Durante a entrevista, Tânia também comentou os desafios relacionados ao uso das telas na infância.
Embora reconheça que a tecnologia faz parte da realidade das novas gerações, ela defende o equilíbrio entre recursos digitais e experiências presenciais.
"A tecnologia pode ser uma aliada quando utilizada com intencionalidade. Mas nada substitui o brincar, a interação e a troca entre as crianças. É nessas experiências que acontece grande parte do desenvolvimento", afirma.
Copa do Mundo e álbum de figurinhas estimulam interação
A coordenadora destacou ainda como eventos que despertam o interesse das crianças podem ser aproveitados pedagogicamente.
A proximidade da Copa do Mundo de 2026, por exemplo, tem estudantes mobilizados, que acompanham voluntários, jogadores e trocam figurinhas do álbum oficial.
Segundo ela, atividades como essas fortalecem a socialização, a negociação e o desenvolvimento de habilidades importantes para a convivência.
"Quando a escola aproveita temas que fazem parte do universo das crianças, o aprendizado acontece de forma mais significativa. A troca de figurinhas, por exemplo, envolve interação, diálogo, tomada de decisões e convivência", observa.
Paciência e confiança fazem a diferença
Ao final da entrevista, Tânia deixou uma orientação para os pais que vivenciam essa etapa junto aos filhos: paciência, confiança e parceria.
Ela lembra que dificuldades e inseguranças são naturais, especialmente nos primeiros meses, mas tendem a ser superadas à medida que a criança se adapta à nova rotina.
"É importante incentivar, acolher e confiar no processo. Quando família e escola caminham juntas, a criança se sente segura para aprender, crescer e descobrir todo o seu potencial", conclui.
Assista ao vídeo da entrevista:








