Professores denunciam assédio durante mobilização e Sinpro-BA promete levar casos ao Ministério Público do Trabalho
Sindicato afirma ter recebido relatos de ameaças, coação e perseguição contra educadores que aderem ao movimento da campanha salarial
A mobilização dos professores da rede privada de ensino da Bahia tem sido acompanhada por denúncias de assédio, intimidação e ameaças praticadas por gestores e representantes de escolas. Diante da situação, o Sindicato dos Professores no Estado da Bahia (Sinpro-BA) afirma que está reunindo provas para adotar medidas jurídicas e administrativas contra instituições que estejam desrespeitando os direitos dos trabalhadores.
Segundo o presidente do Sinpro-BA, professor Allysson Mustafá, a entidade já recebeu diversas denúncias encaminhadas por professores e professoras de diferentes regiões do estado.
"Temos recebido uma série de denúncias feitas pelos professores e professoras sobre práticas de assédio. Nossa primeira preocupação é justamente a proteção desses profissionais. Sempre orientamos que eles apresentem algum elemento que possa servir de prova, como e-mails, mensagens, gravações de áudio ou qualquer outro indício dessas práticas", afirmou.
De acordo com o dirigente sindical, o material coletado poderá ser encaminhado ao Ministério Público do Trabalho (MPT) e, se necessário, à Justiça do Trabalho.
"Nossa intenção é levar esse conjunto de questões ao Ministério Público do Trabalho e, se for necessário, à Justiça do Trabalho. Também vamos tratar do assunto com o sindicato patronal para que oriente seus representados a não praticarem assédio", destacou.
"É triste falar de assédio dentro das escolas"
Para Allysson Mustafá, a situação é especialmente preocupante por ocorrer em instituições que têm a missão de educar e promover valores sociais.
"É muito triste que estejamos falando disso dentro das escolas. Estamos falando de casas de educação, de instituições que vendem uma imagem baseada na cidadania, no respeito e em bons valores, mas que muitas vezes adotam práticas de desrespeito, ameaça e assédio contra seus trabalhadores", criticou.
O presidente do Sinpro-BA reforçou que o sindicato buscará responsabilizar os casos em que houver comprovação das irregularidades.
"Vamos adotar, no momento oportuno, as medidas cabíveis contra aqueles casos que efetivamente conseguirmos comprovar", afirmou.
Sindicato busca mecanismos para evitar retaliações
Outra preocupação da categoria é a possibilidade de retaliações contra profissionais que participam das paralisações e demais atos da campanha salarial.
Segundo Mustafá, o sindicato tem discutido alternativas para proteger os trabalhadores, embora reconheça os limites legais existentes.
"Não há mágica a fazer. Quando participamos de um movimento social, muitas vezes entramos em rota de colisão com quem está do outro lado da negociação. Sempre alertamos os professores sobre isso nas assembleias", explicou.
Uma das propostas que o Sinpro-BA pretende apresentar ao setor patronal é a criação de um período de estabilidade provisória para os docentes após as mobilizações.
"A ideia é discutir com o sindicato patronal a possibilidade de estabelecer um período em que as escolas não possam demitir professores. Isso já aconteceu em outras categorias e seria uma forma de proteger os empregos e evitar retaliações contra quem participou do movimento", disse.
O dirigente ressalta que o sindicato não possui poder legal para impedir demissões, mas pode atuar contra práticas de perseguição e assédio.
"A prerrogativa de contratar e demitir é do empregador. O sindicato não consegue impedir uma demissão, mas pode atuar para combater perseguições e assédios. Politicamente, acreditamos que seja possível construir um acordo para garantir maior proteção aos trabalhadores", acrescentou.
Comunicação e presença nas escolas fortalecem mobilização
Para enfrentar a resistência patronal e ampliar a participação da categoria, o Sinpro-BA afirma que tem investido em ações de comunicação, visitas às escolas e aproximação com os professores de diferentes regiões do estado.
Uma das principais iniciativas é o projeto "Giro Sinpro Bahia", criado para levar as atividades do sindicato ao interior.
"Criamos o Giro Sinpro Bahia justamente para aproximar o sindicato dos professores que muitas vezes sequer conheciam a entidade ou sua atuação. Temos percorrido o interior do estado e ampliado significativamente nossa presença junto à categoria", explicou o presidente.
Além das visitas presenciais, o sindicato tem utilizado as redes sociais como ferramenta de mobilização e informação.
"Temos investido muito na comunicação. O Sinpro Bahia possui um número expressivo de seguidores e diariamente estamos mostrando para os professores como está sendo difícil essa negociação com o setor patronal", afirmou.
Sobrecarga e trabalho não remunerado estão no centro da pauta
De acordo com o sindicato, a campanha salarial vai além das questões financeiras e busca enfrentar problemas estruturais da profissão docente, especialmente relacionados à sobrecarga de trabalho.
"O patronal não está apenas rejeitando propostas de ampliação de direitos. Hoje o professor trabalha exaustivamente e uma parte importante desse trabalho não é remunerada. Temos professores adoecidos, exaustos e até desistindo da profissão porque a carga de trabalho é excessiva", declarou Mustafá.
Segundo ele, a situação afeta principalmente os profissionais da Educação Infantil e do Ensino Fundamental.
"Estamos cobrando regras que garantam proteção ao professor e valorizem esse tempo de trabalho. Isso atinge de forma muito especial os profissionais da Educação Infantil e do Ensino Fundamental", ressaltou.
O dirigente destaca ainda o crescimento das ações presenciais realizadas pelo sindicato em 2026.
"Somente neste primeiro semestre de 2026 teremos realizado mais visitas às escolas do que a soma de todas as visitas feitas em 2024 e 2025. Isso demonstra o esforço que estamos fazendo para fortalecer a mobilização e aproximar o sindicato da categoria", concluiu.
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