Pesquisa da Uesb realiza primeiro sequenciamento completo do genoma do ipê-amarelo

Estudo inédito sobre espécie ameaçada de extinção deve contribuir para ações de conservação, melhoramento genético e desenvolvimento de pesquisas biotecnológicas

Foto: Divulgação/Ascom Uesb
  • Ane Xavier
  • Atualizado: 23/07/2026, 03:21h

Pesquisadores da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb) realizaram, pela primeira vez, o sequenciamento completo do genoma do ipê-amarelo (Handroanthus serratifolius), espécie considerada ameaçada de extinção. O estudo representa um avanço para a pesquisa científica ao disponibilizar informações genéticas inéditas que poderão subsidiar ações de conservação, melhoramento genético e aplicações biotecnológicas.

O trabalho foi desenvolvido no Laboratório de Genética Molecular Aplicada, no campus de Itapetinga, e permite que pesquisadores tenham acesso ao conjunto completo de informações genéticas da espécie, tornando os estudos mais precisos. Até então, as pesquisas utilizavam como referência dados de espécies semelhantes.

A pesquisa, intitulada Sequenciamento do genoma completo do Ipê-amarelo (Handroanthus serratifolius), é conduzida pela mestranda Beatriz Fernandes Pereira, do Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais (PPGCA), sob orientação da professora Elisa Susilene Lisboa dos Santos. O projeto reúne pesquisadores da Uesb, da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e da Brigham Young University (BYU), dos Estados Unidos.

Segundo a professora Elisa Susilene, o estudo surgiu a partir da preocupação com a preservação da espécie.

"Nós resolvemos realizar esse estudo genético-molecular para gerar informações que contribuam com a conservação da espécie", explicou.

Além de auxiliar na preservação, o sequenciamento permitirá identificar genes e rotas metabólicas relacionadas, por exemplo, à formação da madeira e à coloração das flores, possibilitando futuras pesquisas sobre melhoramento genético e uso sustentável da planta.

Características inéditas do genoma

Durante a pesquisa, os cientistas identificaram características incomuns no genoma do ipê-amarelo. Enquanto a maioria dos organismos possui dois conjuntos de cromossomos, a espécie apresenta seis conjuntos cromossômicos, condição conhecida como hexaploidia, além de aproximadamente 30% de genes duplicados.

De acordo com a pesquisadora, essas informações ajudam a compreender como a espécie evoluiu e desenvolveu mecanismos de adaptação ao ambiente. "Entender quais genes estão duplicados pode revelar como essa planta se adaptou ao longo da evolução e abrir novas perspectivas para pesquisas sobre resistência ambiental", destacou Elisa.

Espécie ameaçada

Durante o trabalho de campo, a equipe visitou áreas do sul e sudoeste da Bahia onde havia registros da ocorrência do ipê-amarelo. Em muitos desses locais, as populações estavam reduzidas ou já não eram mais encontradas.

Segundo a mestranda Beatriz Fernandes Pereira, a situação da espécie é preocupante. "No sul e sudoeste da Bahia, percebemos uma situação bastante preocupante. A espécie já é considerada criticamente ameaçada de extinção e as populações estão muito reduzidas", afirmou.

A pesquisadora explica que a redução da população compromete o equilíbrio ecológico, já que as flores servem de alimento para polinizadores, como as abelhas, e suas sementes são dispersas principalmente pelo vento.

Outro aspecto observado durante a pesquisa foi a diminuição da produção de sementes, informação também relatada por profissionais que atuam na conservação da espécie, como os guias do Parque Zoobotânico da Matinha, em Itapetinga.

O estudo reúne pesquisadores de diferentes instituições. Enquanto a equipe da Uesb ficou responsável pela coleta do material biológico, extração do DNA e análises genéticas, a Ufba colaborou na formação da equipe e nas análises, e a Brigham Young University forneceu treinamento e tecnologia para o sequenciamento do genoma.

Segundo as pesquisadoras, a parceria fortalece a formação de estudantes, amplia a cooperação científica entre instituições brasileiras e internacionais e poderá resultar, futuramente, no desenvolvimento de novas tecnologias e aplicações biotecnológicas.

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