Psicomotricidade é ferramenta fundamental para o desenvolvimento de crianças com autismo, destaca especialista
Movimento, cognição, emoções e interação social estão diretamente ligados ao desenvolvimento infantil, afirma Noboru Ito Júnior
A psicomotricidade tem papel essencial no desenvolvimento infantil e pode contribuir significativamente para o acompanhamento de crianças com transtorno do espectro autista (TEA). A avaliação e a intervenção psicomotora ajudam a identificar dificuldades, potencialidades e estratégias que favorecem a aprendizagem, a socialização e a autonomia. O tema foi abordado pelo especialista Noboru Ito Júnior durante entrevista ao programa Inclusão em Foco.
Graduado em Educação Física, pós-graduado em Psicomotricidade e Educação Infantil, mestre em Saúde e Comunicação Humana e especialista em Psicopedagogia, Noboru explicou que a psicomotricidade é uma ciência que estuda as relações entre movimento, cognição, afetividade e comportamento.
Segundo ele, o desenvolvimento humano acontece por meio do movimento desde os primeiros momentos da vida.
“Movimentar-se é desenvolver, é aprender. A busca pelo movimento faz com que o cérebro se refine cada vez mais, permitindo aquisições cada vez mais complexas ao longo do desenvolvimento”, afirmou.
Avaliação psicomotora auxilia no entendimento das necessidades da criança
De acordo com o especialista, a participação do psicomotricista em equipes multidisciplinares é fundamental para compreender como a criança se desenvolve e identificar possíveis fragilidades ou potencialidades relacionadas ao movimento.
No caso do autismo, ele destaca que aspectos como coordenação motora, equilíbrio, lateralidade, funções executivas e até comportamentos observados por meio da linguagem corporal podem fornecer informações importantes para a construção de um plano terapêutico adequado.
“A psicomotricidade pode fornecer indícios sobre rigidez corporal, dificuldades motoras e outras características que ajudam a direcionar intervenções mais assertivas”, explicou.
Dificuldades psicomotoras são frequentes no TEA
Segundo Noboru Ito Júnior, estudos apontam que mais de 80% das pessoas com TEA podem apresentar algum tipo de dificuldade psicomotora.
Entre as manifestações mais comuns estão a hipotonia muscular, dificuldades de coordenação motora, problemas de equilíbrio, atrasos no processo de lateralização, além de estereotipias e dificuldades na organização corporal.
“Cada indivíduo é único. Por isso, é indispensável uma avaliação individualizada para compreender quais habilidades precisam ser estimuladas e quais potencialidades podem ser desenvolvidas”, ressaltou.
Desenvolvimento motor influencia aprendizagem e socialização
Durante a entrevista, o especialista destacou que o desenvolvimento motor está diretamente relacionado à construção das habilidades cognitivas e sociais.
Segundo ele, a exploração do ambiente por meio do corpo permite que a criança desenvolva noções espaciais, corporais e cognitivas fundamentais para processos mais complexos, como a alfabetização e a convivência social.
“A primeira forma de aprendizagem é a imitação. Desde as brincadeiras e movimentos simples, a criança começa a desenvolver habilidades que serão importantes para toda a sua trajetória escolar e social”, explicou.
Noboru acrescenta que o movimento antecede o desenvolvimento da linguagem e contribui para a formação de conexões neurológicas responsáveis por diversas funções cognitivas.
Avaliação combina observação e testes científicos
O especialista explicou que a avaliação psicomotora começa com uma anamnese detalhada sobre o histórico de desenvolvimento da criança e é complementada por protocolos quantitativos e qualitativos.
O objetivo é identificar possíveis atrasos em relação aos marcos esperados para cada faixa etária e analisar a qualidade dos movimentos executados.
“Não basta apenas observar se a criança realiza determinada ação. É preciso compreender como ela realiza esse movimento, qual a sua intenção e se ele ocorre de forma eficiente e harmoniosa”, destacou.
Trabalho interdisciplinar amplia resultados
Outro ponto enfatizado por Noboru foi a importância da integração entre profissionais de diferentes áreas, como psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, pedagogos e psicomotricistas.
Para ele, o atendimento mais eficaz ocorre quando existe diálogo constante entre os especialistas, permitindo a construção conjunta de estratégias para o desenvolvimento da criança.
“O ser humano é integral. Nenhuma área trabalha isoladamente. Quando os profissionais atuam de forma articulada, os resultados tendem a ser mais efetivos”, afirmou.
Orientação às famílias
Ao final da entrevista, Noboru orientou pais e responsáveis a observarem atentamente os marcos do desenvolvimento infantil e procurarem avaliação especializada sempre que identificarem atrasos ou dificuldades persistentes.
Ele também destacou a importância do olhar dos professores, que convivem diariamente com diferentes crianças e muitas vezes conseguem identificar sinais precoces que merecem atenção.
“Quanto mais cedo ocorrer a estimulação adequada, maiores serão as chances de promover um desenvolvimento positivo e prevenir dificuldades futuras”, concluiu.









