Atividade física vai além da musculação e da caminhada; equilíbrio e mobilidade são essenciais para envelhecer com autonomia
A prática regular de atividade física continua sendo um dos principais aliados da saúde, mas especialistas alertam que manter uma rotina de musculação e exercícios aeróbicos, embora importante, já não é suficiente para garantir um envelhecimento saudável. Estudos mais recentes mostram que desenvolver o equilíbrio e a mobilidade é igualmente fundamental para preservar a autonomia, reduzir o risco de quedas e proteger a saúde do cérebro.
A avaliação é do neurologista e coordenador de pós-graduação em psicogeriatria, Dr. Heitor Lima. Segundo ele, durante muitos anos o foco esteve concentrado apenas no fortalecimento muscular e na capacidade cardiorrespiratória. Hoje, no entanto, as pesquisas apontam quatro pilares indispensáveis para a saúde física: força muscular, condicionamento aeróbico, equilíbrio e mobilidade.
"O equilíbrio e a mobilidade têm impacto direto na funcionalidade do dia a dia", explica o especialista. Atividades simples, como trocar uma lâmpada, alcançar um objeto em uma prateleira ou subir uma escada, tornam-se mais seguras quando essas capacidades são treinadas regularmente. Além disso, elas ajudam a prevenir quedas, uma das principais causas de perda de independência entre idosos.
Quedas representam um risco crescente
De acordo com o neurologista, a partir dos 55 ou 60 anos, pessoas sedentárias passam a apresentar um risco cada vez maior de sofrer quedas. Em muitos casos, esses acidentes podem resultar em fraturas, perda permanente da mobilidade e até aumentar o risco de morte precoce.
O especialista ressalta que investir no treinamento do equilíbrio e da mobilidade desde cedo cria uma espécie de "reserva funcional", permitindo que o organismo enfrente melhor o envelhecimento e mantenha a independência por mais tempo.
Equilíbrio protege também o cérebro
Os benefícios não se limitam ao sistema muscular. Segundo Heitor Lima, o equilíbrio depende do funcionamento integrado de diversas áreas do cérebro, responsáveis por funções como memória, atenção, linguagem e raciocínio.
Por isso, pessoas que apresentam melhor equilíbrio e força física tendem também a manter melhor desempenho cognitivo ao longo dos anos. Para o neurologista, treinar essas habilidades significa estimular o cérebro de maneira ampla, favorecendo tanto a saúde física quanto mental.
Pesquisas reforçam a importância do treinamento
Durante a entrevista, também foi citado um estudo da Universidade de São Paulo (USP), que avaliou o equilíbrio de idosos em diferentes posições. A pesquisa observou que permanecer apenas 10 segundos em cada teste pode não ser suficiente para avaliar o risco de quedas. Os pesquisadores verificaram que manter o equilíbrio por cerca de 30 segundos oferece uma análise mais precisa da capacidade funcional.
Outro dado destacado é que, em determinadas posições de equilíbrio, cada segundo adicional de permanência esteve associado a uma redução de aproximadamente 5% no risco de quedas nos seis meses seguintes, reforçando a importância de incluir esse tipo de treinamento na rotina de exercícios.
Exercícios precisam ser mais completos
Segundo Heitor Lima, a boa notícia é que profissionais de Educação Física e fisioterapeutas já vêm incorporando exercícios de equilíbrio e mobilidade aos programas de treinamento. Dessa forma, atividades como musculação podem incluir desafios posturais e movimentos que desenvolvam simultaneamente força, coordenação e estabilidade.
Para o neurologista, quanto mais cedo essas habilidades forem trabalhadas, maiores serão as chances de chegar à terceira idade com autonomia, independência e melhor qualidade de vida.



