UEFA convoca reunião de emergência após plano da FIFA e recebe apoio de Concacaf e AFC
A proposta da FIFA de abrir parte de sua estrutura comercial para investidores privados provocou uma forte reação no futebol internacional. Em resposta ao projeto apresentado pelo presidente Gianni Infantino, a UEFA convocou uma reunião de emergência para esta quinta-feira (30), em Nyon, na Suíça, para definir uma estratégia conjunta contra a iniciativa. A informação foi divulgada pelo jornal britânico The Guardian e repercutida pelo ge.
O encontro reunirá representantes das 55 federações filiadas à UEFA. Entre os assuntos em discussão está a possibilidade de adotar medidas mais contundentes contra a FIFA, incluindo um eventual boicote a competições organizadas pela entidade máxima do futebol, caso o plano avance sem consenso entre as confederações.
A resistência da UEFA ganhou força no cenário internacional. A condenação inicial da entidade europeia recebeu apoio imediato da Concacaf, responsável pelo futebol da América do Norte, Central e Caribe, e também da Confederação Asiática de Futebol (AFC). Juntas, as três confederações representam 143 das 211 associações nacionais filiadas à FIFA, formando uma ampla maioria entre os membros da entidade. A UEFA tornou pública sua posição contrária à proposta na última terça-feira, mesmo dia em que a FIFA anunciou oficialmente o projeto.
O plano prevê a criação de uma nova empresa para administrar os ativos comerciais da FIFA, com a venda de até 20% de participação para investidores privados. Segundo a entidade, o objetivo é ampliar a capacidade de geração de receitas e aumentar os investimentos no desenvolvimento do futebol mundial. A proposta, entretanto, ainda precisará ser submetida à aprovação das associações nacionais e do Conselho da FIFA.
Na avaliação da UEFA, a iniciativa foi apresentada sem discussão prévia com as confederações e levanta preocupações sobre a governança do futebol. Dirigentes europeus temem que a entrada de investidores privados resulte em maior influência de interesses comerciais sobre decisões estratégicas da modalidade.
Apesar da oposição liderada pela UEFA, o projeto não enfrenta rejeição unânime. A Federação Tcheca de Futebol já declarou apoio ao plano defendido por Gianni Infantino, evidenciando que há divergências entre os próprios integrantes da confederação europeia.
Na quarta-feira (29), Infantino afirmou que a proposta será debatida e votada pelas associações filiadas à FIFA. O dirigente defendeu que a medida permitirá aumentar os recursos destinados ao desenvolvimento do esporte em diferentes regiões do planeta.
A reunião desta quinta-feira poderá definir os próximos passos da UEFA e de suas aliadas, em um momento que representa um dos maiores embates políticos entre as confederações continentais e a FIFA nos últimos anos.



