Suplemento não faz milagre: nutricionista alerta que alimentação ainda é o maior diferencial para atletas

  • Júnior Patente
  • Atualizado: 24/07/2026, 08:51h

Em um cenário onde vídeos nas redes sociais prometem ganho de massa, emagrecimento e melhora da performance em poucos dias, cresce também o consumo indiscriminado de suplementos alimentares. Mas, segundo o nutricionista esportivo Higor Araújo, a realidade é bem diferente da que aparece na internet: nenhum produto é capaz de substituir uma alimentação equilibrada, uma boa hidratação e noites de sono de qualidade.

Responsável pela nutrição das equipes sub-15, sub-17, sub-20 e profissional do Esporte Clube Primeiro Passo Vitória da Conquista, Higor afirma que o desempenho esportivo é construído diariamente e começa muito antes da primeira dose de creatina ou whey protein.

"A alimentação é o carro-chefe. Quando vamos construir uma casa, primeiro fazemos a base. No esporte é a mesma coisa: sono, alimentação, hidratação e treinamento vêm antes da suplementação", explica.

O erro que mais compromete a evolução

Para o nutricionista, a principal falha entre praticantes de atividade física está na automedicação nutricional.

É comum que atletas amadores passem a consumir suplementos porque um amigo indicou ou porque um influenciador mostrou resultados nas redes sociais. O problema é que cada organismo possui necessidades diferentes.

"Às vezes, a pessoa acredita que um suplemento vai resolver o problema da performance, quando, na verdade, ela não está dormindo bem ou sequer está hidratada adequadamente", afirma.

Segundo ele, o suplemento deve ser encarado como um complemento, jamais como protagonista do processo.

Alimentação deve acompanhar o esporte praticado

Outra ideia equivocada, segundo Higor, é acreditar que existe uma dieta capaz de servir para todos.

Em esportes de longa duração, como corrida, ciclismo e maratonas, o carboidrato é indispensável para manter o fornecimento de energia e sustentar o rendimento durante toda a prova.

Na musculação, porém, o planejamento depende do objetivo de cada atleta. Ganho de massa muscular, perda de gordura, intensidade dos treinos e composição corporal determinam a quantidade ideal de carboidratos, proteínas e gorduras. Vitaminas e minerais também fazem parte dessa estratégia e não podem ser negligenciados.

Água também é performance

Se a alimentação ocupa papel central, a hidratação vem logo atrás.

Higor cita estudos que mostram que uma perda entre 2% e 5% do peso corporal durante a atividade física pode reduzir em até 20% o desempenho esportivo e aumentar o risco de lesões.

O nutricionista também desfaz um dos mitos mais comuns entre praticantes de exercícios.

"A hidratação começa antes do treino. Quem bebe água apenas durante a atividade está apenas repondo parte do que perdeu. O ideal é chegar ao treino já hidratado."

Dietas da moda não funcionam para todo mundo

Low carb, cetogênica, jejum intermitente. Protocolos alimentares ganharam espaço nas redes sociais e passaram a ser vistos como solução rápida para emagrecer.

Para Higor, essas estratégias têm aplicação clínica, mas somente quando há indicação e acompanhamento profissional.

"O que faz uma dieta funcionar não é o nome dela, mas a capacidade da pessoa de segui-la ao longo do tempo. Sem adesão, qualquer estratégia está fadada ao fracasso", ressalta.

Ganhar músculo exige tempo e constância

Ao contrário do que muitos imaginam, o ganho de massa muscular é um processo lento.

Higor observa que perder alguns quilos de gordura costuma acontecer em menos tempo do que construir a mesma quantidade de massa magra. Por isso, ele considera um erro recorrer precocemente ao uso de hormônios na expectativa de acelerar os resultados.

"O segredo está na combinação entre alimentação, treinamento e disciplina. O processo exige paciência e regularidade."

Nem tudo o que viraliza tem respaldo científico

O crescimento das redes sociais também ampliou a divulgação de produtos vendidos como indispensáveis para quem pratica esportes.

Higor alerta que muitos suplementos ganham visibilidade por campanhas publicitárias e pesquisas financiadas pela própria indústria, o que exige cautela na interpretação dos resultados.

Entre os recursos com maior respaldo científico, ele destaca creatina, whey protein e cafeína. Já compostos como ômega 3, vitamina D e cúrcuma vêm sendo cada vez mais estudados e apresentam potencial em situações específicas, desde que utilizados com indicação profissional.

Performance começa no prato

Depois de acompanhar atletas das categorias de base e do elenco profissional do Vitória da Conquista, Higor resume em uma frase aquilo que considera o maior ensinamento da nutrição esportiva.

"O alimento continua sendo a principal ferramenta do nutricionista. Antes de investir em suplementos, é preciso organizar a alimentação, o sono, a hidratação e o treinamento. É isso que realmente faz diferença na performance", conclui.

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