Dra. Lara Fernandes cobra ampliação do atendimento a crianças neuroatípicas na rede pública de Vitória da Conquista
Vereadora defendeu mais especialistas, estrutura para reabilitação e cobrou execução de emendas destinadas à saúde durante sessão da Câmara desta quarta-feira (5)
A vereadora Dra. Lara Fernandes (Republicanos) cobrou, durante a sessão da Câmara Municipal de Vitória da Conquista desta quarta-feira (5), a ampliação da rede de atendimento destinada a crianças neuroatípicas no município. Em pronunciamento na tribuna, a parlamentar afirmou que há deficiência na oferta de serviços especializados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e defendeu investimentos em estrutura, profissionais e políticas públicas voltadas ao público infantil.
Segundo a vereadora, o tema exige atenção devido à demanda por acompanhamento multidisciplinar. "Eu, como médica pediatra e presidente da Comissão de Saúde da Câmara, não poderia ficar indiferente a uma causa tão importante: o cuidado com nossas crianças neuroatípicas", disse.
Durante o discurso, Dra. Lara afirmou que o município enfrenta dificuldades na oferta de atendimento pediátrico e de especialidades voltadas ao acompanhamento de crianças com transtornos do neurodesenvolvimento. Segundo a parlamentar, atualmente há apenas um neuropediatra atendendo pelo SUS no município, além da necessidade de ampliação de profissionais como psiquiatras infantis, fonoaudiólogos, psicólogos, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, ortopedistas, gastroenterologistas e odontólogos.
A vereadora também explicou que a estrutura disponível para o atendimento especializado é insuficiente para atender à demanda. "O município só conta hoje com algumas entidades filantrópicas e, pelo SUS, apenas com o Caps, que possui mais de cinco mil crianças cadastradas. Por mais que a equipe se esforce, não há condições de prestar um atendimento digno, individualizado e constante."
Segundo Dra. Lara, a demora entre os atendimentos pode comprometer o desenvolvimento das crianças que necessitam de acompanhamento contínuo.
Durante o pronunciamento, a parlamentar voltou a defender a reclassificação do Centro Especializado em Reabilitação (CER) do município de CER II para CER III, medida que, segundo ela, permitiria a implantação do serviço de reabilitação intelectual.
Atualmente, o Centro Especializado em Reabilitação (CER) de Vitória da Conquista é habilitado como CER II, classificação do Ministério da Saúde destinada às unidades que oferecem atendimento em duas modalidades de reabilitação. Segundo a vereadora, o município dispõe dos serviços de reabilitação física e auditiva.
Com a reclassificação para CER III, a unidade passaria a oferecer também a reabilitação intelectual, ampliando a assistência a pessoas com deficiência intelectual e transtornos do neurodesenvolvimento, como o Transtorno do Espectro Autista (TEA). De acordo com Dra. Lara, o espaço físico para a implantação desse serviço já está concluído, mas ainda não entrou em funcionamento.
De acordo com a vereadora, ela apresentou indicação nesse sentido no início do mandato e conseguiu, por meio do deputado federal Márcio Marinho (Republicanos), uma emenda parlamentar de R$ 1 milhão destinada à implantação do novo serviço.
Ainda segundo Dra. Lara, outras emendas parlamentares destinadas à saúde, que somam R$ 2,44 milhões, já teriam sido depositadas na conta do município. A parlamentar afirmou que encaminhou ofícios à Secretaria Municipal de Saúde e à Casa Civil solicitando informações sobre a aplicação desses recursos, mas disse não ter recebido resposta.
No pronunciamento, Dra. Lara também mencionou uma emenda parlamentar, aprovada pela lei 3174/2026, destinada à Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Vitória da Conquista para reforma da instituição. Segundo ela, os recursos já teriam sido repassados ao município e aprovados pela Câmara, mas ainda não chegaram à entidade. "Prefeita, paga o que deve à Apae. Nossas crianças não podem esperar", concluiu.
Ao concluir o discurso, a vereadora voltou a defender investimentos na rede pública de atendimento às crianças neuroatípicas e questionou a situação da assistência oferecida pelo município.



