Aplicativo criado por estudante do IFBA para combater violência contra a mulher é registrado pelo INPI
Software utiliza inteligência artificial para reconhecer o sinal universal de pedido de socorro e poderá ser disponibilizado gratuitamente à população
Poucos meses após ser apresentado à comunidade e receber reconhecimento público, o aplicativo SDM – Segurança da Mulher, desenvolvido pelo estudante Ryan Victor Oliveira Barbosa, do curso técnico integrado em Eletrônica do Instituto Federal da Bahia (IFBA) Campus Vitória da Conquista, alcançou um novo marco: o software teve seu registro concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
O projeto foi criado durante uma atividade da disciplina de Filosofia, ministrada pela professora Valquíria Dias de Almeida, na Semana de Enfrentamento à Violência contra a Mulher. O sistema utiliza inteligência artificial e visão computacional para identificar o sinal universal de pedido de socorro e, ao reconhecer o gesto, encaminha automaticamente informações às autoridades competentes.
O registro representa a proteção da tecnologia desenvolvida pelo estudante e abre caminho para que a ferramenta seja disponibilizada gratuitamente à sociedade. O processo contou com o acompanhamento do Departamento de Inovação (Dinov) do IFBA, responsável por auxiliar nas etapas necessárias para a obtenção do registro.
Para Ryan, a conquista representa um dos momentos mais importantes da trajetória do projeto. "Muita gente acha diferente um aluno do ensino médio conseguir registrar um software. Fiquei muito feliz com todo o reconhecimento, mas o registro foi, para mim, um dos momentos mais importantes de todo esse processo", disse o estudante.
Desde a concepção do SDM, a proposta é manter a tecnologia gratuita, ampliando o acesso de mulheres em situação de vulnerabilidade a uma ferramenta de proteção que não depende de equipamentos específicos. Segundo o estudante, diferentemente de outras soluções, como botões do pânico, o sistema necessita apenas de câmeras de monitoramento já existentes em espaços públicos.
Além do impacto social, o projeto reúne conhecimentos de diferentes áreas, como filosofia, ética, matemática, robótica, programação, visão computacional e inteligência artificial, demonstrando o potencial da interdisciplinaridade na construção de soluções para problemas da sociedade.
Ryan também integra o Grupo de Inovação e Pesquisa em Automação e Robótica (GIPAR) e participa da IEEE Robotics and Automation Society (RAS) e da IEEE Microwave Theory and Technology Society (MTT-S), desenvolvendo pesquisas voltadas à inovação tecnológica no IFBA.
Enquanto a primeira versão permanece protegida pelo registro concedido pelo INPI, o estudante já trabalha no desenvolvimento da versão 2.0 do software. Entre as melhorias previstas estão a redução do tempo de detecção do gesto de socorro e a comunicação direta com servidores das forças de segurança.
Reconhecimento
Antes da concessão do registro, o projeto já havia recebido destaque em veículos de comunicação e foi homenageado pela Câmara Municipal de Vitória da Conquista com uma Moção de Aplauso, proposta pela vereadora Gabriela Garrido (PV).
Na ocasião, Ryan afirmou que o objetivo sempre foi transformar a tecnologia em uma ferramenta acessível à população. "Quero disponibilizá-lo gratuitamente para todas as mulheres e para todo o país", disse.
A orientadora do projeto, professora Valquíria Dias de Almeida, destacou que o registro concedido pelo INPI representa mais do que a proteção jurídica da tecnologia.
"O registro do aplicativo representa um passo fundamental para assegurar a proteção da inovação, reconhecer o trabalho desenvolvido e garantir a sua credibilidade. Mais do que um marco jurídico, esse registro possibilita que a tecnologia seja disponibilizada de forma segura e organizada para a sociedade, ampliando seu alcance e potencial de transformação."
Segundo a professora, a disponibilização gratuita do aplicativo reforça o compromisso com a democratização do conhecimento e evidencia o papel da pesquisa na construção de soluções voltadas às necessidades da comunidade.
"Ao tornar o aplicativo acessível ao público, reafirma-se o compromisso com a democratização do conhecimento, a promoção da inovação e o desenvolvimento de soluções que atendam às necessidades da comunidade. Assim, a pesquisa ultrapassa os limites da academia e se converte em uma ferramenta concreta de impacto social, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida das pessoas e fortalecendo a relação entre ciência, tecnologia e sociedade", conclui.



