Sono de má qualidade afeta memória, humor, relações e saúde física, alerta psiquiatra

  • Júnior Patente
  • Atualizado: 23/09/2026, 10:38h

Dormir mal deixou de ser apenas uma questão de cansaço no dia seguinte. A qualidade do sono está diretamente relacionada à atenção, memória, concentração, aprendizagem, humor e capacidade de lidar com situações de estresse. O alerta é de Izadora Gusmão, Psiquiatra com residência médica, professora da pós graduação em psiquiatria da Afya Educação médica em Vitória da Conquista e pós-graduada em Psiquiatria da Infância e Adolescência

Em entrevista ao programa INCLUSÃO EM FOCO, Izadora explicou que uma noite mal dormida, isoladamente, pode acontecer e não necessariamente representa um problema de saúde. A preocupação aumenta quando a dificuldade para dormir passa a ocorrer com frequência e começa a provocar prejuízos no cotidiano.

Segundo a especialista, três noites de sono inadequado por semana já representam uma frequência que merece atenção. Quando esse padrão persiste por meses, é necessário investigar as possíveis causas e avaliar a necessidade de tratamento.

A psiquiatra destacou que o problema não está necessariamente relacionado ao número de horas que uma pessoa permanece na cama. É possível passar dez ou 12 horas deitada e, ainda assim, ter um sono de baixa qualidade.

A insônia pode aparecer de diferentes formas: dificuldade para iniciar o sono, despertares frequentes durante a noite ou acordar muito antes do horário previsto e não conseguir voltar a dormir. Por isso, mais do que contabilizar horas, é importante observar se o sono é contínuo e reparador e se a pessoa acorda descansada.

Sono e saúde mental

A relação entre sono e saúde mental funciona nos dois sentidos. A ansiedade pode dificultar o início do sono, especialmente quando a pessoa chega à noite com excesso de preocupações e pensamentos. Ao mesmo tempo, dormir mal pode aumentar a intensidade das respostas diante de situações estressantes.

De acordo com Izadora, a privação do sono pode contribuir para irritabilidade, dificuldades de concentração, sonolência e problemas nas relações interpessoais. Em pessoas que já apresentam transtornos de humor ou ansiedade, melhorar a qualidade do sono também faz parte do cuidado em saúde mental.

Outro ponto destacado pela psiquiatra é a importância de investigar a causa da insônia, em vez de tratar apenas o sintoma. Ela compara o problema à febre: assim como a febre pode estar associada a diferentes doenças e exige investigação, a insônia pode ter origens distintas e demandar estratégias específicas.

Entre os sinais que indicam a necessidade de procurar ajuda estão prejuízos no trabalho, nos estudos e nas relações familiares e sociais. O uso frequente de álcool ou medicamentos para tentar dormir também merece atenção.

Nem sempre o tratamento envolve medicamento

A busca por uma solução para a insônia muitas vezes é associada imediatamente ao uso de medicamentos. Izadora ressalta, porém, que o tratamento depende da causa do problema e pode envolver mudanças de hábitos, higiene do sono e psicoterapia, entre outras estratégias.

A chamada higiene do sono envolve comportamentos que ajudam o organismo a se preparar para dormir. Entre eles está a redução da exposição à luz e às telas durante a noite, além do afastamento das atividades profissionais e de outros estímulos antes de ir para a cama.

A exposição prolongada a celulares, tablets, computadores e outros dispositivos eletrônicos pode dificultar esse processo. Além da luminosidade das telas, o conteúdo consumido durante a noite pode manter o cérebro em estado de alerta e prolongar o tempo de conexão.

Para a psiquiatra, estabelecer horários para deixar o celular de lado pode ser uma estratégia útil. Ela defende que essa mudança seja construída por toda a família, e não apenas imposta a crianças e adolescentes.

O exemplo dos pais

Quando o assunto envolve crianças e adolescentes, Izadora chama atenção para o comportamento dos próprios adultos. Segundo ela, não adianta estabelecer regras para os filhos enquanto os pais continuam conectados ao celular durante a noite.

A especialista defende que o momento de retirar os aparelhos eletrônicos deve ser um acordo familiar, com regras semelhantes para todos. A ideia é criar um ambiente em que o período noturno seja destinado ao descanso e à convivência.

Ela também destaca a importância do chamado "tempo de qualidade" com os filhos. Estar fisicamente no mesmo ambiente não significa necessariamente estar presente na relação quando a atenção continua concentrada no celular.

A preocupação ganha relevância diante da exposição cada vez mais precoce de crianças e adolescentes às telas. Para Izadora, a mudança de comportamento dos adultos é uma parte importante desse processo, já que os filhos observam e reproduzem hábitos familiares.

Sono também interfere na saúde física

Os efeitos do sono inadequado não se limitam à saúde mental. Segundo a psiquiatra, dormir mal pode repercutir no metabolismo, no sistema cardiovascular e na resposta imunológica.

Na infância, o sono também desempenha papel importante na produção do hormônio do crescimento. Por isso, a necessidade de um sono adequado acompanha o indivíduo ao longo de diferentes fases da vida.

A mensagem central da especialista é que dificuldades persistentes para dormir não devem ser banalizadas. Quando o problema se torna frequente ou começa a interferir no trabalho, nos estudos, nas relações ou na saúde, a orientação é procurar avaliação profissional.

Atendimento gratuito

Durante a entrevista, Izadora também informou que a Afya Educação Médica mantém atendimento gratuito à população em seu ambulatório, em Vitória da Conquista. Segundo ela, são oferecidos atendimentos na área de saúde mental e em outras especialidades, como pediatria, endocrinologia, dermatologia e geriatria, além de serviços de ultrassonografia.

Para informações e agendamento, o WhatsApp (77) 9930-1113.

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