Bahia prepara ações para enfrentar possíveis impactos do El Niño em 2026 e 2027
Plano estadual reúne medidas para segurança hídrica, agricultura familiar, saúde, assistência social e prevenção de incêndios
O Governo da Bahia estruturou um plano de ações para preparar o estado para possíveis impactos do El Niño no ciclo 2026/2027. O planejamento reúne medidas nas áreas de segurança hídrica, saúde, agricultura familiar, proteção social, defesa civil e prevenção e combate a incêndios.
A estratégia é coordenada pelo Governo do Estado e busca antecipar medidas para regiões consideradas mais vulneráveis aos efeitos de seca e estiagem. O Plano Estadual de Ações de Enfrentamento aos Impactos do El Niño 2026/2027 prevê cerca de R$ 4,6 bilhões em ações relacionadas à convivência com o semiárido, segundo dados apresentados pelo Estado.
Entre os possíveis impactos considerados no planejamento estão o agravamento da seca e da estiagem, temperaturas mais elevadas, redução da disponibilidade de água, perdas na produção rural e aumento do risco de incêndios florestais.
Na área de abastecimento, o planejamento prevê a implantação de 400 sistemas simplificados de água, 275 poços e 5 mil aguadas, além da ampliação de sistemas existentes e da implantação de cisternas. As medidas fazem parte de uma estratégia mais ampla de preparação para períodos de menor disponibilidade hídrica.
O Estado também informa que, entre 2023 e julho de 2026, foram destinados R$ 5,59 bilhões a ações de água e esgoto. Até junho deste ano, 1.414 localidades rurais haviam sido beneficiadas com abastecimento, alcançando mais de 435 mil pessoas, enquanto 1.946 poços haviam sido perfurados.
Para a agricultura familiar, o planejamento inclui ações do Sertão Vivo, com previsão de 20 mil ligações de água e assistência técnica para 20 mil famílias. Também estão previstas 250 mil sacas de farelo de milho para alimentação animal e 10 milhões de mudas de palma forrageira.
O plano inclui ainda ações de proteção social, como a previsão de 18.105 cisternas, distribuição de alimentos e implantação de 2 mil quintais produtivos. A assistência poderá ser reforçada em municípios que estejam em situação de emergência ou calamidade.
Programas como o Garantia-Safra e o Projeto Sertão Vivo também integram o conjunto de iniciativas estaduais relacionadas à preparação para os efeitos do fenômeno.
A prevenção e o combate aos incêndios florestais também estão entre os eixos do planejamento. A estrutura prevista conta com até 295 bombeiros e 60 viaturas. Segundo os dados apresentados pelo Estado, até 16 de setembro a Operação Florestal havia combatido 564 incêndios em 80 dias e atendido 92 municípios.
A preparação para o período também considera ações que já estavam em andamento. O Governo da Bahia criou um comitê responsável pela elaboração do plano estadual e vem articulando as medidas com municípios e órgãos federais. Em agosto, representantes da Bahia participaram de uma articulação nacional para discutir respostas aos possíveis impactos do El Niño.
Além das ações estruturais, o Estado prevê um sistema integrado de acompanhamento para reunir informações sobre abastecimento de água, saúde, incêndios, assistência social e apoio aos produtores.
A proposta é que as informações sobre situações urgentes sejam encaminhadas aos órgãos responsáveis e retornem aos municípios em forma de orientações e medidas. A estratégia também prevê o uso de rádios, meios de comunicação locais e materiais impressos para ampliar o acesso da população às informações.
O planejamento estadual parte de ações de preparação e convivência com o semiárido que já existem na Bahia. Entre elas está o programa Água para Todos, criado em 2007 e posteriormente utilizado como referência para uma iniciativa federal. As medidas fazem parte do plano estadual para o ciclo 2026/2027, enquanto o Estado mantém a articulação com União e municípios para organizar a resposta aos possíveis efeitos do El Niño.







