Bahia registra média de 148 novos processos de violência doméstica por dia em 2026
Justiça recebeu mais de 31 mil novas ações entre janeiro e julho; número de processos cresceu 162% entre 2020 e 2025
A Justiça da Bahia recebeu 31.355 novos processos relacionados à violência doméstica contra a mulher entre janeiro e julho de 2026, o equivalente a uma média de 147,9 ações por dia. Os dados são do Painel de Violência contra a Mulher, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Os números mostram também um crescimento no volume anual de processos ao longo dos últimos anos. Em 2020, foram registrados 17.269 novos casos na Justiça baiana. Em 2025, o total chegou a 45.345, uma alta de 162,58% em cinco anos. Em relação a 2024, quando foram contabilizadas 39.591 ações, o crescimento foi de 14,53%.
No cenário nacional, 742.279 novos processos chegaram à Justiça entre janeiro e julho deste ano, média de 3.501 por dia. O número anual passou de 599.472, em 2020, para mais de 1,1 milhão em 2025. Apesar do crescimento, os dados judiciais, isoladamente, não permitem concluir que a violência doméstica tenha aumentado na mesma proporção, já que refletem apenas os casos que chegaram ao Judiciário. Outra limitação dos dados é a subnotificação. Situações em que a vítima não procura a polícia ou a Justiça não aparecem nas estatísticas processuais.
A violência contra a mulher pode assumir diferentes formas. Além das agressões físicas, podem ocorrer ameaças, humilhações, perseguição, controle financeiro, isolamento de amigos e familiares, coerção sexual e destruição de objetos. A Lei Maria da Penha também pode ser aplicada em situações envolvendo ex-companheiros, mesmo quando não há mais convivência entre o casal.
Em casos de risco imediato, a orientação é procurar um local seguro e acionar a Polícia Militar pelo 190. O Ligue 180 funciona 24 horas e oferece informações sobre direitos e serviços de atendimento às mulheres. Quando possível, mensagens, áudios, fotografias, documentos médicos e contatos de testemunhas podem auxiliar na investigação. A ausência desses registros, entretanto, não deve impedir ou adiar a procura por ajuda.
Em Vitória da Conquista, mulheres em situação de violência podem procurar atendimento presencial na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam), localizada na Rua Humberto de Campos, nº 205, bairro Jurema, no complexo do Disep. A unidade oferece atendimento especializado a mulheres vítimas de violência. Em situações de emergência, a Polícia Militar pode ser acionada pelo 190, e o Ligue 180 funciona como canal nacional de orientação e denúncia.






