ACM Neto recebeu R$ 5,45 milhões do Banco Master, apontam dados enviados pela Receita à CPI
Pré-candidato ao Governo da Bahia aparece entre nomes da política citados em documentos encaminhados à CPI do Crime Organizado; repasses teriam sido feitos por meio da A&M Consultoria Ltda
O candidato ao Governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil) aparece entre os nomes ligados à política brasileira que receberam pagamentos do Banco Master, segundo documentos encaminhados pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado. De acordo com os dados, R$ 5,45 milhões foram repassados por meio da A&M Consultoria Ltda.
As informações fazem parte de um conjunto de documentos que detalha pagamentos realizados pelo banco de Daniel Vorcaro a escritórios, empresas e consultorias ligados a ex-presidentes, ex-ministros, dirigentes partidários e familiares de autoridades. Além de ACM Neto, o presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, também aparece nos dados. Segundo as informações encaminhadas à CPI, ele recebeu R$ 6,4 milhões do Banco Master.
Em nota, o União Brasil criticou o vazamento de informações fiscais e afirmou que os serviços prestados ao conglomerado tiveram natureza técnica e foram documentados. Segundo o partido, “os serviços jurídicos prestados ao conglomerado Master tiveram caráter estritamente técnico, com atuação relevante e devidamente documentada”.
Os dados ganham repercussão na Bahia em meio à campanha eleitoral de 2026, na qual ACM Neto disputa novamente o Governo do Estado. O ex-prefeito de Salvador aparece entre os principais candidatos ao Palácio de Ondina.
Entre os maiores valores informados está o repasse de R$ 80,2 milhões ao escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Os pagamentos teriam ocorrido entre 2024 e 2025. O escritório do ex-presidente Michel Temer também aparece nos documentos, com R$ 10 milhões informados à Receita Federal. Temer afirmou que a contratação ocorreu para uma atividade jurídica de mediação, mas contestou o montante e disse que o escritório recebeu R$ 7,5 milhões.
A Pollaris Consultoria, do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, teria recebido R$ 14 milhões. Já o escritório Lewandowski Advocacia, pertencente à família do ex-ministro do STF Ricardo Lewandowski, recebeu R$ 6,1 milhões em depósitos iniciados em novembro de 2023. Lewandowski deixou a sociedade em janeiro de 2024, antes de assumir o Ministério da Justiça.
Também constam nos documentos R$ 8 milhões destinados ao ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles. Em nota, ele afirmou que manteve contrato de consultoria sobre macroeconomia e mercado financeiro com o Banco Master entre março de 2024 e julho de 2025. Os dados ainda apontam pagamentos de R$ 12 milhões a uma empresa de Bonnie Bonilha, casada com o enteado do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).
Empresas do Grupo Massa, pertencente à família do governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), aparecem com repasses que somam R$ 24 milhões. O grupo afirmou que sua atuação não se confunde com a conduta de terceiros com os quais manteve relações contratuais e informou que o governador não integra o quadro societário das empresas. Também aparecem empresas ligadas ao ex-secretário de Comunicação Social Fabio Wajngarten e ao ex-ministro da Cidadania Ronaldo Bento, ambos integrantes do governo Jair Bolsonaro.
A presença dos nomes nos documentos não significa, por si só, que os citados tenham cometido irregularidades. Os registros apontam pagamentos e relações contratuais informados à Receita Federal e encaminhados à CPI, que investiga o crime organizado e recebeu os dados no contexto das apurações envolvendo o Banco Master.
No caso de ACM Neto, os documentos colocam o candidato ao Governo da Bahia entre as figuras políticas citadas nas informações fiscais relacionadas ao banco, em um momento em que o caso Master tem ampliado sua repercussão no cenário político nacional.





