PF aponta que Vorcaro negociou cotas de jatinho e helicóptero para pagar escritório de esposa de Moraes
Relatório cita contrato de R$ 50 milhões envolvendo cotas de jatinho e helicóptero e reúne mensagens de Daniel Vorcaro sobre pagamentos ao Barci de Moraes Sociedade de Advocacia
Relatório da Polícia Federal (PF) aponta que o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, negociou a transferência de cotas de um jatinho e de um helicóptero como parte do pagamento por serviços advocatícios prestados pelo escritório Barci de Moraes Sociedade de Advocacia, de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Segundo a investigação, um dos contratos previa o pagamento de R$ 50 milhões ao escritório. Desse total, R$ 40 milhões seriam quitados por meio de cotas das duas aeronaves, enquanto outros R$ 10 milhões seriam destinados ao reembolso de despesas relacionadas aos voos.
As informações constam de material recuperado de dispositivos apreendidos pela PF. Em conversas de julho de 2025, Vorcaro aparece tratando de pendências relacionadas aos ativos e da utilização das aeronaves com interlocutores ligados à Prime You, empresa especializada no compartilhamento de bens de luxo. Em um dos diálogos reproduzidos no relatório, Vorcaro questiona se as aeronaves já estavam sendo utilizadas pelo escritório. Na sequência, um interlocutor encaminha uma conversa com Viviane Barci de Moraes, na qual ela afirma que estava satisfeita com a utilização das cotas.
O relatório registra ainda orientações atribuídas a Vorcaro para que demandas relacionadas ao escritório fossem atendidas. Em uma delas, o empresário afirma: “Não deixa de atender Barci”. O documento teve o sigilo retirado pelo ministro André Mendonça, do STF, e também reúne mensagens relacionadas a outro contrato entre o Banco Master e o escritório, cujo valor total, segundo o relatório, era de R$ 131 milhões.
Em uma das conversas, Vorcaro demonstra preocupação com o cumprimento dos pagamentos e classifica o acordo como prioritário. “É o contrato mais importante que temos. Te pedi para não falhar. Surreal. Vamos ter problemas”, escreveu após mencionar que um pagamento ao escritório não havia sido realizado.
A PF também identificou registros de transferências bancárias. Em 8 de fevereiro de 2024, após Vorcaro pedir informações sobre o contrato assinado e questionar quando ocorreria o primeiro pagamento, foi encaminhado a ele um comprovante de transferência de R$ 3.422.268,14 do Banco Master para o Barci de Moraes Sociedade de Advocacia. O mesmo valor aparece novamente em registros posteriores. Em março de 2024, Vorcaro voltou a cobrar que o pagamento não sofresse atraso e afirmou, em mensagem, que se tratava do “pgto mais importante que temos”. O relatório cita ainda referências a pagamentos em julho e outubro de 2025.
Em uma das conversas de outubro, após ser informado de que um pagamento havia sido realizado, Vorcaro teria orientado que os repasses ao escritório não fossem feitos por Pix, afirmando: “Não é bom”. As mensagens e documentos integram a investigação da Polícia Federal sobre as relações mantidas por Vorcaro e o Banco Master com o escritório de Viviane Barci de Moraes. Os elementos descritos no relatório registram contratos, pagamentos e comunicações entre os envolvidos, mas, por si só, não equivalem a uma conclusão judicial sobre eventual prática de crime.




