Xandó defende aproximação da Academia Conquistense de Letras com produção literária das periferias

Durante homenagem aos 46 anos da ACL, vereador destacou batalhas de rima, saraus e bibliotecas comunitárias como espaços de produção e circulação literária

Foto: Ascom Câmara Municipal
  • Ane Xavier
  • Atualizado: 02/09/2026, 03:23h

O vereador Alexandre Xandó defendeu uma maior aproximação entre a Academia Conquistense de Letras (ACL) e iniciativas de leitura e produção literária desenvolvidas nas periferias e na zona rural de Vitória da Conquista. A fala ocorreu durante a sessão solene realizada pela Câmara Municipal nesta quarta-feira (2), em comemoração aos 46 anos da instituição.

Professor da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), Xandó iniciou o pronunciamento chamando atenção para as mudanças provocadas pelas tecnologias na relação das novas gerações com a escrita. Segundo ele, recursos como corretores ortográficos e dispositivos digitais reduziram a prática da escrita manual, o que também produz efeitos sobre a aprendizagem.

O vereador também relacionou o aumento das possibilidades de publicação de obras literárias, inclusive por meio de políticas públicas de financiamento à cultura, a um segundo desafio: encontrar leitores para aquilo que está sendo produzido. “Não basta a escrita se não há quem leia. E hoje eu acho que esse é um grande desafio. Ou seja, a gente produz, escreve, mas quem tá lendo?”, questionou.

Xandó associou a questão ao consumo cada vez mais rápido de conteúdos e citou hábitos como assistir a filmes em velocidade aumentada para exemplificar as transformações na atenção e no tempo dedicado à leitura. “Quantas pessoas nos dias de hoje conseguem concluir um livro? Em tempos em que assistimos até um filme na velocidade duas vezes, quem quer parar para ler a íntegra de uma escrita?”, indagou.

Outro ponto do pronunciamento foi a defesa de uma aproximação da Academia com manifestações culturais produzidas fora dos espaços tradicionais da literatura. Xandó utilizou o hip-hop e as batalhas de rima como exemplos de produção poética presente nas periferias. Segundo o vereador, a elaboração improvisada de versos, métricas e rimas também deve ser observada como parte da produção literária da cidade. “Frequentem as batalhas de rima, frequentem os saraus de slam. E ali vocês vão ver quantos membros honorários da Academia Conquistense de Letras estão ali e são desconhecidos por todos nós”, afirmou.

A declaração foi apresentada como uma provocação aos integrantes da ACL para ampliar o diálogo com escritores, poetas e movimentos que não necessariamente circulam nos espaços institucionais da literatura.

O vereador também mencionou bibliotecas comunitárias mantidas em bairros periféricos e na zona rural, destacando iniciativas que funcionam a partir da mobilização dos próprios moradores. Segundo Xandó, alguns desses projetos enfrentam dificuldades financeiras para continuar funcionando. Ele citou especificamente uma biblioteca comunitária que, segundo seu relato, estaria ameaçada de encerrar as atividades por dificuldades para pagar o aluguel.

A partir desse cenário, o parlamentar sugeriu que a Academia utilize sua capacidade de articulação para contribuir com a manutenção e divulgação dessas iniciativas. “Vocês são pontes. Essa instituição tem uma força muito grande e talvez vocês, buscando levar essas demandas para outros espaços, possam ajudar”, disse.

A fala ocorreu durante a sessão que reuniu acadêmicos, escritores, representantes do poder público e integrantes de instituições culturais para celebrar os 46 anos da Academia Conquistense de Letras.

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