Academia Conquistense de Letras celebra 46 anos com sessão solene na Câmara Municipal

Homenagem reuniu escritores, acadêmicos e representantes do poder público e destacou trajetória da instituição, preservação da memória e desafios para ampliar o acesso à literatura

Foto: Ane Xavier
  • Ane Xavier
  • Atualizado: 02/09/2026, 03:58h

A Academia Conquistense de Letras (ACL) foi homenageada pelos seus 46 anos de atuação durante sessão solene realizada na Câmara Municipal de Vitória da Conquista. O encontro reuniu acadêmicos, escritores, representantes de instituições culturais e integrantes dos poderes Legislativo e Executivo para celebrar a trajetória da entidade e discutir caminhos para o fortalecimento da literatura e da cultura no município.

Fundada em setembro de 1980, a Academia reúne escritores, poetas, professores, pesquisadores e outros representantes da produção intelectual local. Ao longo de mais de quatro décadas, a instituição tem desenvolvido atividades relacionadas à literatura, à preservação da memória e à valorização da produção cultural de Vitória da Conquista.

Na abertura da sessão, o presidente da Câmara, Ivan Cordeiro, recuperou parte da história da produção literária conquistense, mencionando periódicos que circularam na cidade desde o início do século XX e nomes que participaram da fundação e da trajetória da Academia.

O vereador também destacou as articulações para que a instituição passe a contar com uma sede própria. Segundo Ivan, representantes da Academia e o secretário municipal de Cultura, Alexandre Magno, já visitaram um casarão histórico no Centro da cidade que poderá ser destinado à entidade.

“Estamos trabalhando forte junto à Prefeitura para viabilizar essa sede própria para a ACL. Enquanto os papéis tramitam, as portas do Memorial da Câmara continuam abertas para acolher as reuniões dos nossos acadêmicos”, afirmou.

O presidente da Academia Conquistense de Letras, Valmir Henrique de Araújo, agradeceu a homenagem e utilizou o pronunciamento para refletir sobre a relação entre linguagem, literatura e memória. Ao abordar a ideia dos integrantes das academias de letras como “imortais”, Valmir relacionou a permanência da produção literária à capacidade da palavra de ultrapassar seu sentido imediato e produzir novas interpretações.

Durante a solenidade, o secretário municipal de Cultura, Alexandre Magno, afirmou que a Prefeitura e a Secretaria de Cultura pretendem manter o diálogo e a construção de parcerias com a ACL. Ele classificou a Academia como uma instituição ligada à preservação da história e da produção intelectual do município. “A Academia Conquistense de Letras é, acima de tudo, uma guardiã da nossa história. É um espaço onde a palavra ganha força, onde a memória encontra abrigo e onde a nossa cultura é preservada para futuras gerações”, declarou.

A presidente da Casa de Cultura, Poliana Policarpo de Magalhães Aguiar, apresentou durante a sessão um percurso histórico da literatura conquistense anterior à própria fundação da Academia. Ela mencionou escritores, jornais e movimentos culturais que ajudaram a formar o ambiente literário da cidade ao longo do século XX.

Entre os nomes lembrados estiveram Manuel Fernandes de Oliveira, conhecido como Maneca Grosso, Camillo de Jesus Lima, Eratóstenes Menezes e Clóvis Lima. Poliana também destacou a criação da Ala das Letras, articulada por Camillo de Jesus Lima, e a atuação posterior da Casa da Cultura até a fundação da Academia em 1980.

Além da celebração histórica, os pronunciamentos levantaram questões sobre os desafios atuais da cultura no município. O vereador Andreson Ribeiro defendeu políticas públicas que ampliem o acesso de crianças e jovens à literatura, ao cinema, ao teatro e a outros espaços culturais, especialmente entre a população de menor renda. Também cobrou investimentos na preservação do patrimônio cultural da cidade.

Já o vereador Alexandre Xandó chamou atenção para as mudanças nos hábitos de escrita e leitura diante do avanço das tecnologias e do consumo acelerado de conteúdo. Para ele, além de incentivar a publicação de novos autores, é necessário discutir a formação de leitores. “Não basta a escrita se não há quem leia. E hoje eu acho que esse é um grande desafio. Ou seja, a gente produz, escreve, mas quem tá lendo?”, questionou.

Xandó também defendeu maior aproximação da Academia com a produção cultural das periferias, citando batalhas de rima, saraus e bibliotecas comunitárias como espaços de produção e circulação da literatura em Vitória da Conquista. O parlamentar sugeriu que a entidade utilize sua capacidade de articulação para contribuir com iniciativas comunitárias que promovem leitura e literatura na cidade.

A sessão foi encerrada com uma homenagem aos integrantes da Academia Conquistense de Letras e um registro coletivo dos acadêmicos presentes. A celebração dos 46 anos também abriu espaço para discussões sobre preservação da memória, formação de leitores, acesso à cultura, valorização de novos escritores e aproximação entre instituições tradicionais e iniciativas culturais desenvolvidas em diferentes territórios de Vitória da Conquista.

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