Flamengo fracassa no Maracanã, cai diante do Estudiantes e dá adeus à Libertadores

  • Júnior Patente
  • Atualizado: 23/10/2026, 09:27h

A festa estava preparada, o Maracanã recebeu uma multidão e a expectativa era de mais uma decisão continental. Mas o Flamengo transformou a oportunidade de chegar à final da Copa Libertadores em uma noite de frustração. Na quinta-feira (22), diante de sua torcida, o time carioca empatou por 0 a 0 com o Estudiantes, da Argentina, e acabou eliminado nas cobranças de pênaltis, por 3 a 2, na semifinal da competição.

O resultado expôs um problema que vai além da loteria das penalidades: faltou futebol para transformar o favoritismo em classificação. Atual campeão da Libertadores, o Flamengo tinha a possibilidade de avançar em busca do quinto título, mas não conseguiu marcar sequer um gol nos dois jogos contra os argentinos. Os confrontos terminaram empatados sem gols, tanto na Argentina quanto no Rio de Janeiro.

A eliminação em casa torna o resultado ainda mais doloroso. Cerca de 72 mil torcedores compareceram ao Maracanã para empurrar a equipe, mas viram o time encontrar dificuldades para superar a marcação adversária, mesmo com a vantagem de um jogador a mais durante boa parte do segundo tempo.

Posse de bola sem efetividade

O Flamengo teve mais posse de bola e passou boa parte do confronto tentando controlar as ações ofensivas. O problema foi transformar esse domínio territorial em oportunidades reais de gol. A equipe circulou a bola, recorreu a cruzamentos e encontrou dificuldades para penetrar na defesa do Estudiantes.

A expulsão de Baltasar Rodríguez, aos quatro minutos da etapa final, abriu uma oportunidade importante para o Rubro-Negro pressionar. Com superioridade numérica, esperava-se uma mudança mais incisiva de postura, com maior velocidade na troca de passes e ocupação dos espaços.

A resposta, porém, demorou. As alterações promovidas pelo técnico Leonardo Jardim não produziram o efeito esperado durante boa parte da etapa final. Somente nos minutos derradeiros o Flamengo conseguiu criar algumas situações mais perigosas, incluindo uma cabeçada de Plata defendida pelo goleiro Muslera e outra tentativa de Lucas Paquetá que passou perto da trave.

Foi pouco para uma equipe que precisava vencer diante de sua torcida e tinha a vantagem numérica em campo.

Muslera decide, e Flamengo desperdiça três cobranças

Se a atuação durante os 90 minutos deixou a torcida apreensiva, a disputa por pênaltis confirmou a eliminação. O goleiro uruguaio Fernando Muslera foi decisivo ao defender as cobranças de Jorginho, Lucas Paquetá e Bruno Henrique. Pelo Flamengo, apenas Arrascaeta e Léo Pereira converteram suas tentativas.

O Estudiantes venceu a disputa por 3 a 2 e garantiu a vaga na decisão. A equipe argentina mostrou resistência defensiva, suportou a pressão no Maracanã e aproveitou os erros do adversário para conquistar a classificação.

Embora os pênaltis tenham determinado o resultado final, responsabilizar exclusivamente as cobranças perdidas seria ignorar os problemas apresentados pelo Flamengo ao longo do confronto. A equipe teve tempo e oportunidades para construir a classificação durante a partida, mas não conseguiu encontrar soluções ofensivas consistentes.

Leonardo Jardim e as escolhas questionadas

O trabalho do técnico Leonardo Jardim também entra no centro das discussões. A demora para promover mudanças mais agressivas, mesmo após a expulsão de um jogador do Estudiantes, levantou questionamentos sobre a estratégia adotada.

A entrada de Arrascaeta, aos 18 minutos do segundo tempo, e as substituições realizadas posteriormente não foram suficientes para mudar de maneira significativa o panorama da partida. O Flamengo continuou com dificuldades para criar espaços e transformar a superioridade numérica em pressão efetiva.

Após a eliminação, Jardim reconheceu a frustração e admitiu que a equipe não conseguiu ter a presença ofensiva necessária dentro da área adversária. A declaração reforça a dimensão do problema: não bastava ter a bola, era preciso saber o que fazer com ela.

Uma eliminação que exige respostas

O Flamengo deixa a Libertadores com uma derrota que precisa ser analisada para além do resultado nas penalidades. Um clube com investimento elevado, elenco experiente e ambições continentais não pode avaliar sua participação apenas pela quantidade de passes, pela posse de bola ou pelo volume de jogo.

O futebol exige eficiência, capacidade de adaptação e decisões acertadas nos momentos decisivos. Contra o Estudiantes, o Rubro-Negro falhou nesses aspectos. Não marcou gols nos dois jogos, encontrou dificuldades para superar a organização defensiva argentina e não aproveitou a vantagem de jogar em casa com um atleta a mais.

A torcida fez sua parte. O Maracanã ofereceu o cenário e o apoio esperados para uma semifinal de Libertadores. Dentro de campo, porém, o time não correspondeu à expectativa criada em torno de sua campanha.

A eliminação representa uma oportunidade perdida de conquistar o bicampeonato consecutivo e alcançar o quinto título continental. Mais do que isso, deixa uma pergunta inevitável para a comissão técnica e os jogadores: por que uma equipe com tantos recursos teve tanta dificuldade para produzir futebol justamente quando mais precisava?

O Estudiantes fez o necessário para avançar. O Flamengo, por sua vez, terá de conviver com a cobrança por uma eliminação que não se explica apenas pelos pênaltis perdidos, mas também pela incapacidade de decidir a classificação durante o jogo.

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