A incrível arte do convencimento
Quando o assunto é persuasão, dois nomes me vêm à cabeça: Jane Austen, famosa escritora britânica e Luiz Inácio Lula da Silva, Presidente da República. Venha comigo que explico no caminho. Ou melhor, nas próximas linhas!
No último dia 4 aconteceu em São Paulo a 34° Marcha para Jesus. O evento evangélico reuniu, além de astros da Música Gospel e líderes religiosos, o Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, o senador Flávio Bolsonaro e o advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias.
De acordo com Igor Gadelha, colunista do Metrópoles, o “climão” nos bastidores envolvendo os três era perceptível. Se evitaram, mesmo estando no mesmo trio elétrico durante parte da marcha.
Como se o cenário já não fosse interessante o bastante, o chefe do executivo telefona para o apóstolo Estevam Hernandes, que o coloca no viva voz. Na ligação, em tom de carinho e respeito, Lula lembra que foi ele quem sancionou a Lei nº 12.025/2009, denominada Dia Nacional da Marcha para Jesus, instituindo o evento oficialmente no calendário nacional e justifica sua ausência dizendo que em ano eleitoral, preferiu não transformar algo sagrado num palanque.
Com essas palavras Lula alfineta aqueles que insistem em colocá-lo como inimigo do povo evangélico e também o pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, ali presente. O presidente acerta, assim, dois alvos com um tiro só!
A imagem do apóstolo ouvindo o presidente, com Jorge Messias ao seu lado acompanhando tudo – visivelmente satisfeito com o resultado da sua articulação –, logo ganhou destaque em vários portais de notícia e eu só conseguia pensar no fato de que o AGU será novamente indicado pelo presidente ao STF, mesmo depois da derrota histórica no Senado. É importante lembrar que a última vez em que a Casa rejeitou uma indicação do Presidente da República ao Supremo, ocorreu há 132 anos, durante o governo do Marechal Floriano Peixoto.
O advogado-geral da União está disposto a passar pelo mesmo suplício duas vezes? Parece que sim, com coragem e fé! Certamente foi convencido pelo presidente que desta vez dará certo! E a quem Lula não convence? Fernando Haddad, depois de deixar o espinhoso Ministério da Fazenda, foi logo colocado na disputa pelo governo de São Paulo. Ele queria? Não. Lula, sim.
O ex-ministro, que pretendia dedicar mais tempo aos estudos, aos livros, agora está aí em tudo quanto é programa de entrevista e podcast, discutindo, pensando, apontando soluções para os problemas do estado. Talvez, depois de ter sido lançado candidato à presidência aos 45 minutos do segundo tempo em 2018, enfrentando Jair Bolsonaro – um adversário diferente de tudo aquilo o que já tinha encarado na vida pública – nada mais o abale, não é mesmo?
E Dilma Rousseff? De braço direito de Lula, como ministra-chefe da Casa Civil, tornou-se a primeira mulher presidente do Brasil. E eleita duas vezes! Isso só foi possível porque ela disse sim ao seu chefe e aceitou mais uma aventura na sua vida já tão marcada por grandes desafios.
Voltando ao Jorge Messias e sua saga rumo ao STF, Lula terá cuidado para que ele não seja exposto a mais um fracasso, pois vem articulando diálogo com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre e aposta nos desdobramentos do caso Master como um trunfo contra o centrão, mas cá entre nós, é sempre um risco. E é aí que a coisa me fascina, pois vejo os jogos que envolvem a Política e suas figuras mais poderosas com eternos olhos de criança curiosa!
Luiz Inácio Lula da Silva sempre consegue o que quer. Não por imposição, mas por sua imensa capacidade de fazer os outros aceitarem suas ideias. Ao indicar um evangélico ao STF o presidente compra briga com alguns setores progressistas, mas se mantém firme na disputa pelo voto dos fiéis. Repare que outubro é logo ali!








