Uma pequena reflexão antes de votar

Causa perplexidade e, sinceramente, indignação, ver pessoas razoavelmente informadas ainda depositarem sua confiança em Flávio Bolsonaro para ocupar a Presidência da República.
Estamos falando de um político cuja trajetória profissional se confunde praticamente por inteiro com a própria política, cercado há anos por controvérsias, investigações e denúncias que levantam questões graves sobre patrimônio, relações políticas e vínculos com personagens ligados às milícias do Rio de Janeiro.

Também é impossível ignorar suas posições políticas. Flávio Bolsonaro já demonstrou alinhamento com uma visão de país que coloca em segundo plano políticas sociais e direitos conquistados, além de defender uma agenda econômica inspirada no ultra liberalismo de Javier Milei, experiência argentina que vem produzindo enorme sofrimento social e aprofundando a dependência do país em relação ao FMI.

Mais grave ainda é a disposição de apoiar medidas externas que prejudicam empresas e trabalhadores brasileiros. Quando um político brasileiro comemora ou defende tarifas impostas pelos Estados Unidos contra o próprio Brasil, a pergunta inevitável é: a quem ele pretende servir quando chegar ao poder aos interesses nacionais ou aos interesses de uma potência estrangeira?
E a questão não termina nele.
Eduardo Bolsonaro, seu irmão, tornou-se uma figura central na articulação política da família no exterior. Vive nababescamente, sem trabalhar, nos Estados Unidos e mantém uma atuação pública marcada por críticas e pressões contra instituições brasileiras, além de buscar apoio de autoridades estrangeiras para pressionar o próprio Brasil. Tudo isso levanta uma questão que deveria incomodar qualquer cidadão, independentemente de ideologia:
Que tipo de projeto de país é esse?
Um projeto que transforma adversários políticos em inimigos, instituições nacionais em obstáculos, programas sociais em desperdício e interesses estrangeiros em aliados preferenciais?
Não se trata simplesmente de ser “de direita” ou “de esquerda”. Democracias saudáveis precisam de conservadores, liberais, progressistas e socialdemocratas. A questão é outra: que princípios, que compromissos e que interesses estão por trás de quem pretende comandar o Estado brasileiro?

Antes de votar, talvez seja necessário deixar de lado a paixão política, os sobrenomes, os slogans e as guerras de internet.

Olhar os fatos.
Olhar a trajetória.
Olhar as alianças.
Olhar as propostas.
E, principalmente, perguntar:
Quem ganha e quem perde se esse projeto chegar ao Palácio do Planalto?


Paulo de Tarso M. David

Advogado, professor universitário e motociclista.

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