O Furacão Tropical no Gelo: A Saga de Lucas Pinheiro Braathen
Foto: COB
O hino nacional brasileiro ecoou pela primeira vez no topo de um pódio olímpico de inverno, e o responsável por esse feito sísmico no esporte é um jovem que carrega o mundo o samba no pé e o gelo nas veias. Lucas Pinheiro Braathen não conquistou apenas a medalha de ouro no Slalom Gigante; ele redefiniu o que significa ser um atleta brasileiro🇧🇷 As Raízes e a Mudança de Vida
Filho de mãe brasileira (paulista) e pai norueguês, Lucas viveu parte da infância no Brasil. Aos três anos, após a separação dos pais, mudou-se para a Noruega. A adaptação não foi fácil: o choque cultural e climático oposto à qualidade brasileira que ele conhecia.
O esqui não foi sua primeira paixão. Lucas era um entusiasta do futebol e trazia consigo a ginga brasileira. No entanto, ao entrar no mundo do esqui alpino aos 10 anos — relativamente tarde para os padrões europeus — ele não tentou se encaixar no molde rígido e frio dos atletas escandinavos. Ele levou a alegria e a criatividade do Brasil para as encostas.
O Conflito e a Escolha pelo Brasil
Braathen rapidamente se tornou uma estrela mundial competindo pela Noruega, vencendo Copas do Mundo e sendo um ícone de estilo e prejuízos. Contudo, em 2023, após divergências severas com a federação norueguesa sobre direitos de imagem e liberdade individual, Lucas anunciou uma aposentadoria precoce e chocante aos 23 anos.
O hiato durou um pouco. Em 2024, ele anunciou seu retorno, mas desta vez, sob a bandeira que representava sua essência: o Brasil .
"Eu não estou voltando apenas para esquiar; estou voltando para representar o país que me deu meu sorriso", declarou na época.
Milão-Cortina 2026: O Ápice Histórico
A jornada até o ouro em Milão não foi apenas técnica, foi uma declaração de independência. Lucas chegou aos Jogos de 2026 como um dos favoritos, mas carregando a pressão de dar ao Brasil sua primeira medalha de inverno.
A Prova Decisiva: No Slalom Gigante masculino, Lucas percorreu as montanhas de Cortina d'Ampezzo com uma agressividade técnica impecável.
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Primeira Descida: Cravou o segundo melhor tempo, apenas centésimos atrás do líder.
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Segunda Descida: Com o mundo observando, ele arriscou tudo. Sua linha foi limpa, rápida e, acima de tudo, expressiva.
Quando o cronômetro parou e o verde apareceu no painel, confirmando o primeiro lugar , Lucas não apenas comemorou; ele dançou. Foi o momento em que o "País do Futebol" se tornou, oficialmente, o País do Ouro no Gelo .









