Governo projeta salário mínimo de R$ 1.717 em 2027 e fixa metas fiscais em projeto enviado ao Congresso
O governo federal encaminhou ao Congresso Nacional o Projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2027 com a previsão de salário mínimo de R$ 1.717. A proposta foi apresentada dentro do prazo legal e estabelece as bases para a elaboração do Orçamento da União do próximo ano.
O valor representa um aumento nominal de R$ 96 em relação ao piso atual de R$ 1.621, o equivalente a uma alta de aproximadamente 5,9%. Ainda assim, o montante definitivo só será confirmado no fim de 2026, após a consolidação da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).
Regra de reajuste e impacto nas contas públicas
A correção do salário mínimo segue a política de valorização adotada pelo Executivo, que combina a reposição da inflação com o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Esse mecanismo garante ganho real ao trabalhador, mas também amplia o impacto nas despesas públicas, já que o mínimo serve de referência para aposentadorias, pensões e benefícios sociais.
Além disso, o reajuste está condicionado ao novo arcabouço fiscal, que limita o crescimento real das despesas a até 2,5% acima da inflação, buscando equilibrar aumento de gastos e responsabilidade fiscal.
Metas fiscais e projeções econômicas
O projeto da LDO também define as metas fiscais para 2027, indicando a estratégia do governo para reorganizar as contas públicas. A proposta prevê um superávit primário de 0,5% do PIB, equivalente a cerca de R$ 73,2 bilhões — resultado positivo nas contas públicas, desconsiderando os juros da dívida.
O texto ainda estabelece parâmetros econômicos que orientam o orçamento, com estimativas de:
- crescimento do PIB de 2,56%;
- inflação em torno de 3,04%;
- taxa básica de juros (Selic) de 10,55% ao ano.
A meta faz parte de uma trajetória de ajuste fiscal gradual, com expectativa de avanço até alcançar superávit de 1% do PIB em 2028.
Tramitação
O projeto será analisado pela Comissão Mista de Orçamento (CMO) e, posteriormente, pelo plenário do Congresso Nacional. A LDO funciona como uma “bússola” para o orçamento, definindo regras, limites de gastos e prioridades do governo federal para o ano seguinte.







