Liderança indígena na ciência ainda é minoria no Brasil, aponta estudo do Ipea

  • Júnior Patente
  • Atualizado: 19/04/2026, 08:32h

Uma pesquisa recente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada revelou um avanço tímido — e ainda insuficiente — na presença indígena na liderança científica no Brasil. Apesar do crescimento nas últimas duas décadas, os dados evidenciam desigualdades estruturais no acesso a posições de comando na produção de conhecimento.

De acordo com o levantamento, a participação de indígenas como líderes de grupos de pesquisa passou de 0,25% em 2000 para 0,38% em 2023. Em números absolutos, isso representa um salto de 46 para 252 lideranças indígenas no período.

Embora o aumento seja superior a 50%, o percentual segue extremamente baixo — especialmente quando comparado à proporção de indígenas na população brasileira.

O estudo também chama atenção para o recorte de gênero. A presença de mulheres indígenas na liderança científica cresceu, mas continua ainda mais limitada: passou de 0,06% em 2000 para 0,16% em 2023.

Isso aponta para uma dupla barreira: minorias e gênero.

Uma pesquisa, baseada em dados do Diretório de Grupos de Pesquisa do CNPq, mostra que a presença indígena é desejável entre áreas de conhecimento, há concentração em poucos campos acadêmicos e o acesso à liderança científica ainda é restrito.

Apesar dos avanços no acesso de indígenas ao ensino superior nas últimas décadas, o estudo evidencia que chegar à universidade não significa alcançar posições de liderança científica.

Esse cenário reflete obstáculos históricos, como desigualdade educacional, barreiras institucionais e baixa representatividade nas estruturas acadêmicas.

A baixa presença indígena na liderança de pesquisas impacta diretamente a produção de conhecimento sobre os povos originários, a diversidade de perspectivas científicas e a formulação de políticas públicas mais inclusivas. Em um país com forte diversidade cultural e étnica, ampliar a participação indígena na ciência não é apenas uma questão de representatividade — é também estratégico para o desenvolvimento social e científico.

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