Obesidade infantil avança no Brasil e especialistas alertam para riscos dos ultraprocessados

Obesidade infantil avança no Brasil e especialistas alertam para riscos dos ultraprocessados

  • Júnior Patente
  • Atualizado: 07/05/2026, 08:23h

Está no ar o Fator de Risco, uma conversa franca sobre os cuidados para uma vida saudável. A cada ano, cresce no Brasil um problema silencioso que já ameaça a saúde de milhões de crianças: a má alimentação infantil e o avanço da obesidade precoce. O alerta é sério. Dados do IBGE apontam que mais de 30% das crianças entre 5 e 9 anos estão acima do peso. Um número que preocupa especialistas e revela uma mudança perigosa nos hábitos alimentares das famílias brasileiras.

No programa, o apresentador Humberto Martins conversou com a nutricionista Tainara Abreu, do Hospital Mantevida, que chamou atenção para um cenário cada vez mais comum dentro dos consultórios: crianças consumindo grandes quantidades de alimentos ultraprocessados, ricos em açúcar, gordura e sódio, enquanto alimentos naturais perdem espaço na rotina diária.

Segundo a especialista, o problema vai muito além da comida colocada no prato. A alimentação infantil está diretamente ligada ao comportamento, às emoções e ao ambiente familiar. “A criança aprende pelo exemplo. Quando os pais mantêm hábitos saudáveis, a tendência é que os filhos também desenvolvam uma relação melhor com a alimentação”, explicou.

A correria do dia a dia, no entanto, acaba favorecendo escolhas rápidas e pouco nutritivas. Produtos industrializados, lanches prontos e fast foods se tornam frequentes na rotina das famílias, principalmente pela praticidade. O problema é que esses alimentos oferecem saciedade momentânea, mas estimulam o consumo excessivo e aumentam os riscos de doenças crônicas ainda na infância, como diabetes, hipertensão e obesidade.

Outro fator que preocupa os profissionais da saúde é o forte apelo visual e emocional utilizado pela indústria alimentícia. Embalagens coloridas, personagens infantis, brinquedos e campanhas publicitárias direcionadas ao público infantil tornam os ultraprocessados extremamente atrativos. Enquanto isso, alimentos naturais acabam sendo vistos pelas crianças como menos interessantes.

A nutricionista destacou que os pais enfrentam uma disputa desigual contra a publicidade e o ambiente de consumo. “A criança vê o personagem que gosta na embalagem, associa aquilo a prazer e diversão. Isso influencia diretamente na escolha alimentar”, afirmou.

Além da influência da propaganda, o uso excessivo de telas durante as refeições também agrava o problema. Crianças que comem assistindo televisão, utilizando celulares ou tablets tendem a perder a percepção da saciedade, aumentando os episódios de compulsão alimentar e criando uma relação automática com a comida.

Tainara Abreu reforçou ainda que a construção de hábitos saudáveis exige paciência e persistência. A rejeição inicial a legumes, verduras e frutas é considerada normal na infância. Estudos mostram que uma criança pode precisar ser exposta entre cinco e quinze vezes ao mesmo alimento até aceitá-lo naturalmente. O segredo, segundo ela, é variar as formas de preparo e evitar forçar a alimentação.

“Quando a criança é obrigada a comer, ela cria uma memória negativa daquele alimento. O ideal é apresentar de maneiras diferentes, permitir que ela toque, participe da preparação e descubra os sabores gradativamente”, explicou.

A especialista também alertou para a importância de acompanhar a alimentação oferecida nas escolas e creches. Muitos pais acreditam que os filhos estão se alimentando bem nesses ambientes, mas desconhecem a qualidade dos produtos servidos ou o comportamento alimentar da criança fora de casa.

O avanço da obesidade infantil já é tratado por especialistas como uma questão de saúde pública. O excesso de peso na infância aumenta significativamente o risco de doenças cardiovasculares, problemas metabólicos, dificuldades emocionais e baixa autoestima ao longo da vida adulta.

Diante desse cenário, médicos e nutricionistas defendem mudanças urgentes nos hábitos familiares, maior fiscalização da publicidade infantil e políticas públicas que incentivem o acesso à alimentação saudável desde os primeiros anos de vida.

O alerta é claro: o que hoje parece apenas um lanche rápido ou uma escolha prática pode se transformar, no futuro, em um grave problema de saúde. A infância é o momento em que os hábitos são formados — e também a fase mais importante para prevenir doenças que podem acompanhar uma pessoa por toda a vida.

 
tire as informações do programa do texto e cita no final, com informações do programa Fator de Risco, da Rádio Câmara de Brasília.
 

O avanço da obesidade infantil no Brasil tem acendido um alerta entre especialistas em saúde pública. Dados do IBGE mostram que mais de 30% das crianças entre 5 e 9 anos estão acima do peso, um cenário que revela mudanças profundas nos hábitos alimentares das famílias brasileiras e aponta para riscos cada vez maiores de doenças crônicas ainda na infância.

O problema não está apenas no excesso de comida, mas principalmente na qualidade da alimentação consumida diariamente. O crescimento do consumo de alimentos ultraprocessados, ricos em açúcar, gordura e sódio, aliado à redução da ingestão de frutas, legumes e alimentos naturais, tem contribuído diretamente para o aumento da obesidade e do sobrepeso infantil.

Especialistas alertam que a alimentação na infância vai muito além da nutrição. Ela está ligada à formação de hábitos, ao comportamento emocional e às referências familiares. Crianças tendem a reproduzir aquilo que observam dentro de casa. Quando os pais mantêm uma alimentação equilibrada, a chance de os filhos desenvolverem hábitos saudáveis é significativamente maior.

A rotina acelerada das famílias também aparece como um dos principais fatores para o crescimento do problema. A praticidade dos alimentos industrializados e das refeições prontas acaba substituindo preparações caseiras e mais nutritivas. O resultado é uma geração exposta desde cedo a produtos altamente processados, desenvolvidos para estimular o consumo constante.

Além disso, a publicidade direcionada ao público infantil exerce forte influência sobre as escolhas alimentares. Embalagens coloridas, personagens famosos, brindes e campanhas publicitárias tornam refrigerantes, salgadinhos e fast foods extremamente atrativos para as crianças. O apelo visual e emocional frequentemente supera o interesse por alimentos naturais.

Outro ponto de preocupação é o uso excessivo de telas durante as refeições. Crianças que comem assistindo televisão, utilizando celulares ou tablets tendem a perder a percepção de saciedade, aumentando o consumo exagerado e favorecendo episódios de compulsão alimentar.

O problema ganha contornos ainda mais graves porque o excesso de peso na infância pode desencadear doenças que antes eram mais comuns em adultos, como diabetes tipo 2, hipertensão arterial, colesterol elevado e problemas cardiovasculares. Também há impactos emocionais importantes, incluindo baixa autoestima, ansiedade e dificuldades de socialização.

Especialistas defendem que a construção de hábitos saudáveis deve acontecer de forma gradual, sem pressão ou punições. A rejeição inicial a alguns alimentos é considerada natural. Crianças podem precisar experimentar várias vezes um mesmo alimento até aceitá-lo. A orientação é apresentar frutas, legumes e verduras de maneiras diferentes, tornando o momento da alimentação mais leve e acolhedor.

A participação da criança no preparo das refeições também pode ajudar na aceitação dos alimentos. Cozinhar em família, permitir o contato com os ingredientes e transformar a alimentação em uma experiência positiva são estratégias recomendadas por nutricionistas.

Outro alerta importante envolve a alimentação oferecida em escolas e creches. Pais e responsáveis precisam acompanhar o cardápio, verificar a qualidade dos produtos servidos e entender como a criança se comporta durante as refeições fora de casa.

Diante do crescimento acelerado da obesidade infantil no país, especialistas reforçam que a prevenção começa dentro de casa, com escolhas simples no dia a dia. Reduzir o consumo de ultraprocessados, estimular refeições em família e criar uma relação saudável com a comida são medidas fundamentais para proteger a saúde das crianças.

As informações foram abordadas no programa Fator de Risco, da Rádio Câmara, em entrevista com a nutricionista Tainara Abreu, do Hospital Mantevida.

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